Clima conturbado no elenco do Corinthians
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sexta-feira, 06 de março de 2009
Marcel Rizzo<br> Agência Estado 
Presidente Prudente - O Corinthians ainda não perdeu na temporada. Foram oito vitórias e quatro empates, que lhe deram a vice-liderança do Paulistão e a classificação antecipada para a segunda fase da Copa do Brasil. Tudo uma maravilha, certo? Mais ou menos. O técnico Mano Menezes está tendo muito mais dificuldade em administrar egos no grupo neste ano do que aconteceu em 2008. E a saída do diretor Antônio Carlos, após a noitada de Ronaldo em Presidente Prudente, pode ter sido apenas o estopim.
A chegada de Ronaldo ao clube gerou certo desconforto em alguns jogadores que tinham direito de imagem atrasados. Eram quatro que ficaram sem receber a maior parte dos vencimentos de dezembro até o final de fevereiro: Felipe, Lulinha, Fabinho e Douglas. O atacante Souza é o quinto atleta do elenco que tem direito de imagem no contrato, mas o seu pagamento estava em dia porque ele recebeu adiantado quando foi contratado.
O questionamento deles era como contratar um jogador tão caro (Ronaldo) se ainda não havia sido pago parte dos salários e toda a premiação pelo acesso na Série B do Brasileiro. A diretoria corintiana, então, acertou as dívidas com a entrada de R$ 11 milhões que a Nike adiantou pela renovação do contrato até 2014. Mas parece não ter acalmado completamente os ânimos.
Na chegada da delegação corintiana a Presidente Prudente, na madrugada de ontem, Souza bateu boca com torcedor. Cobrado para ''jogar bola'', o atacante não perdoou: ''Vai tomar no c., p...''. Com salário de R$ 170 mil mensais, o segundo maior do elenco, atrás apenas de Ronaldo, ele está irritadíssimo porque sabe que dificilmente terá chance no time titular agora que Ronaldo está em condições de atuar.
Na quinta-feira da semana passada, em treino fechado em Presidente Prudente - e antes da balada de Ronaldo -, Lulinha e Morais trocaram empurrões e tiveram que ser apartados por companheiros para não chegarem às vias de fato.
Já a saída do diretor técnico Antônio Carlos ocorreu porque ele estava presente na boate em que Ronaldo passou a madrugada da sexta-feira da semana passada, em Presidente Prudente. O ex-dirigente explicou ao presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, que foi ao local apenas para retirar o jogador de lá.
Andrés Sanchez acreditou no amigo, mas Mano Menezes, não. A amigos, Antônio Carlos disse que não teve respaldo do treinador. Mesmo porque, foi o técnico quem exigiu a multa a Ronaldo, fazendo com que fosse impossível encobrir o caso.
Diante disso tudo, Antônio Carlos já fez o diagnóstico em conversas com pessoas próximas: com tantos jogadores de personalidade forte no grupo do Corinthians, vai ser difícil segurar as feras se resultados ruins acontecerem.


