Cleuza Irineu cobra salários atrasados
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terça-feira, 01 de abril de 2003
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Há quatro meses sem emprego, a fundista Cleuza Maria Irineu, 37 anos, quer ser valorizada pelo que faz no presente. Bicampeã da Volta da Pampulha (99 e 2000) e melhor brasileira em duas corridas de São Silvestre (98 e 99), a paranaense não pretende se amparar para sempre em resultados do passado. ''Não quero nada pelo que fiz, mas sim pelo que ainda faço'', ponderou.
Irineu alega que não recebe salário da Fundação de Esportes de Londrina (FEL) há quatro meses. Seu último ordenado, segundo ela, foi pago em novembro do ano passado. ''Está difícil me manter sem esse dinheiro. Tenho me sustentado com a premiação das competições que participo'', disse.
Segundo ela, a indefinição sobre seu futuro na cidade vem prejudicando sua preparação para a Maratona de São Paulo, prova seletiva para os Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, na Guatemala. ''É claro que isso tudo não me deixa treinar com tranquilidade. Tem dia que corro 35 quilômetros e não sei como será meu futuro. Isso tudo dói muito na alma'', confessou a fundista, que só neste ano foi campeã da Corrida dos Carteiros em Curitiba e vice da mesma prova em Florianópolis.
Mesmo com as adversidades, Cleuza quer ficar. Há 16 anos representa a cidade e por enquanto não cogita a possibilidade de ir embora. ''Minha intenção é ficar. Morei aqui quase minha vida inteira. Mas se essa situação não chegar a um final, vou correr por outro município e tenho certeza que trabalho não vai faltar'', desafiou.
O técnico José Eugênio Zanineli, responsável pelo projeto Londrina/AABB, que acomoda as principais atividades do atletismo londrinense, contesta a versão de Cleuza. Segundo ele, a atleta teve seu projeto reprovado pelo conselho de administração da FEL e consequentemente ficou sem vínculo com o município. ''Ela não tem nada a receber porque está sem contrato. Recebi há pouco tempo o projeto dela, mas a Cleuza nem se interessou em buscar uma resposta. Estamos esperando que ela nos procure para fazermos uma proposta'', afirmou.
Segundo Zanineli, a atleta não recebeu o salário de dezembro (2002) porque seu contrato com a FEL havia se expirado um mês antes. Com relação aos vencimentos de janeiro, o presidente da FEL, professor Marival Mazzio, disse que neste mês não houve pagamento porque os documentos referentes aos projetos aprovados ainda estavam em fase de avaliação.


