Cleuza Maria Irineu, a melhor de todos os fundistas brasileiros classificados na última edição da São Silvestre, tem agora planos mais altos. ‘‘Conversando muito com o meu treinador, chegamos à conclusão de que tenho totais condições de ganhar uma vaga para disputar a maratona olímpica. E esse é o nosso novo projeto: atingir o índice olímpico, que é de 2h35min. Como estou com a marca de 2h43min acredito que já na Maratona de Roterdã, na Holanda, conseguirei atingir essa meta’’, disse ontem a atleta, nascida em 18 de junho de 1965, prestes a completar 34 anos, ‘‘mas atravessando a melhor fase de sua carreira’’, como explicou o técnico Moacir Marconi, o Coquinho.
Quinta colocada na SS, Cleuza é natural de Uraí, passou por Londrina, Jaraguá do Sul e hoje defende a equipe Fila, de Cascavel. Curiosamente, Cleuza não começou sua vida esportiva no atletismo, mas sim no basquete. ‘‘Lá em Uraí, a professora Jussy Rebelo me levou para o basquete em 79 e depois fui treinar com o Júlio Dantas. Por muito tempo joguei basquete, até um dia que a Nancy, que jogava basquete com a gente, sugeriu um teste com o Antonio Carlos Gomes. Como estava cursando o último ano de Educação Física na Fefi (hoje Unopar), fui para o teste e aprovada. Aliás o teste foi feito aqui no Zerão (onde ontem ela concedeu a entrevista), há 13 anos’’, contou.
Cleuza, então, treinou algumas vezes e foi para o primeiro teste de fogo: a Celso Garcia Cid, prova de oito quilômetros realizada em Londrina na década de 80. Uma péssima experiência, lembra a atleta. ‘‘Quando terminei a prova, estava zonza. Minha irmã chegou perto e disse a ela que no dia seguinte pegaria minha bolinha de basquete e voltaria às quadras. Não gostei. Só que o Antonio Carlos insistiu e comecei a me preparar melhor para correr. Foi aí que gostei e dei início à minha carreira de fundista, hoje com inúmeros títulos e recordes’’, fala, sorridente.
Em 87, defendeu o Grêmio Londrinense no Campeonato Paranaense de Atletismo. Pela primeira vez, Cleuza disputou uma prova de 3.000 metros, na categoria júnior. E estabeleceu um recorde - ‘‘ainda não superado’’, ela orgulha-se.
Dois anos depois, o nome Cleuza Maria Irineu passou a ser visto com mais respeito pelas fundistas paranaenses e brasileiras. Ela ganhou, em 88, a 28 de Janeiro, em Apucarana, o que lhe valeu uma convocação para a seleção brasileira que foi disputar o Mundial de Cross. Um ano depois foi ao Japão, com uma equipe universitária, disputar o ekiden. E o conjunto voltou campeão.
O apoio ao atletismo londrinense acabou. Cleuza foi para Cascavel. Mas no ano seguinte lá também parou. Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, foi a solução para continuar. Cleuza não desistia. Tinha ‘‘fé no taco’’. Em 95 bateu os recordes dos 5.000 e 10.000 metros na maior competição paranaense, os Jogos Abertos. ‘‘Foi talvez o ano mais difícil, porque nasceu minha filha e ninguém quis fazer contrato comigo, porque não acreditavam que poderia correr naquela ano.’’
Voltou a Londrina em 96 para os Jogos Abertos. Novamente campeã. Mas foi um contrato apenas para os Jogos, que se repetiu em 97. Já no ano passado, em abril, Coquinho foi contratado para dirigir a equipe Fila/Cascavel e lá foi Cleuza, juntando-se mais uma vez ao treinador, que há nove meses trabalha forte com ela. ‘‘Foram seis meses de muita preparação para a São Silvestre e a Maratona de São Paulo. Felizmente tudo deu certo e atingimos os objetivos’’, avalia Coquinho.
Agora Cleuza pensa nas provas 28 de Janeiro e 15 de Fevereiro, em Cornélio Procópio. ‘‘Se a gente competir nessas duas provas, vamos estar melhores para a meia-maratona de Lisboa, que acontece dia 20 de março’’, confia Cleuza. Mas Lisboa é apenas a rota para Roterdã. ‘‘É lá que vou apostar a minha carreira, pela primeira vez tentando uma vaga para as Olimpíadas’’, diz a atleta, que treinará dois meses em Saint Moritz, na altitude suíça, treinando para Roterdã. Hoje ela será homenageada pela Prefeitura de Cascavel, depois de já ter sido em Uraí, sua terra natal e, ontem, em Paranavaí, terra do técnico Coquinho.

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