‘‘Tudo que fiz foi por desespero e por necessidade’’. O mea-culpa do atleta Cleonício dos Santos Silva, que falsificou documentos para se fazer passar por Renato Albuquerque de Lima, está contido na carta enviada ao presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Rolim de Moura, no último dia 25 de junho.
‘‘(...) Usei uma carteira de identidade de outra pessoa, que tinha o nome Renato Albuquerque de Lima (nascido em 30 de outubro de 1979 e RG nº 11.510.772-4/RJ), para me apresentar ao Foz do Iguaçu (por volta de setembro de 97). O clube não ficou sabendo do fato e fez meu registro com aquele documento. Depois de algum tempo jogando lá, fui bem e o Clube Atlético Paranaense se interessou pela minha pessoa. Vim para o Atlético com o nome de Renato e fui muito bem no campeonato de juniores. Depois, meu passe foi vendido para o Atlético. Comecei a jogar no profissional e acabei o campeonato como titular, sempre com o nome de Renato’’, conta Cleonício, que nasceu em 19 de abril de 76, no Rio de Janeiro.
Pedindo orientação e ajuda ao presidente da FPF, o jogador prossegue: ‘‘(...) Tenho uma família humilde, com oito irmãos. Joguei nas categorias de base do Campo Grande, onde fui registrado como profissional. Não tinha dinheiro nem para comer direito’’.
Sem perspectiva de futuro, Cleonício decidiu abandonar a carreira e trabalhar como pedreiro para sobreviver e sustentar os pais doentes. Depois de ganhar passe livre do Campo Grande, ele tentou se apresentar em alguns clubes, já com a idade de 20 anos. ‘‘Como o senhor (Moura) sabe, nenhum clube dá chance para atletas com essa idade, pois já não pode atuar na categoria júnior. Fui forçado, pela situação, a arrumar as coisas, para poder mostrar meu futebol e ter nova chance para jogar. Me disseram que o Foz estava peneirando jogadores juniores. Um conhecido disse que o único jeito era eu conseguir uma idade menor. Emprestei a certidão de nascimento de um amigo, que morava no Rio, e passei a me apresentar com aquele documento.’’
De acordo com o presidente do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) do Paraná, Ítalo Tanaka Júnior, a autodenúncia apresentada pelo jogador e os motivos alegados por ele contarão pontos favoráveis no julgamento, podendo até absolvê-lo ou atenuar a pena, prevista entre 180 a 360 dias de suspensão pelo Código Brasileiro Disciplinar de Futebol (CBDF).
Entretanto, Cleonício ainda corre o risco de responder pelo crime de falsidade ideológica na Justiça Comum, sujeito a pena de reclusão (2 a 6 anos) e multa, segundo o Código Penal. O jogador irá prestar depoimento ao TJD no próximo dia 4 (terça-feira).

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