Em meio à disputa de Atlético e Coritiba para tê-lo como jogador no Campeonato Brasileiro, o atacante Cléber fez ontem um desabafo: ‘‘Me sinto uma mercadoria’’.
Descansando na casa dos pais, em São José do Rio Preto (SP), o jogador disse à Folha, por telefone, que queria mais consideração de ambos os clubes. ‘‘Não levaram em conta que sou um ser humano. Dos dois lados recebi pressão para não jogar pelo outro time. Isso não se faz com um profissional’’, afirmou Cléber, que não quis identificar os autores das advertências.
Ontem, o presidente do Coritiba, João Jacob Mehl, confirmou, em entrevista coletiva, que o clube realmente comprou o passe do jogador junto ao Mérida, da Espanha, por R$ 2,5 milhões, e que nas próximas 48 horas o registro do atleta deverá ser feito na Confederação Brasileira de Futebol para que ele possa estrear no alviverde.
Mesmo assim, Cléber, que tem contrato assinado com o rubro-negro, declarou que está inseguro quanto ao seu futuro e que ainda não sabe se jogará pelo Coritiba ou pelo Atlético. ‘‘Apesar do Coritiba ter comprado o meu passe, acredito que essa situação ainda vai demorar para se resolver porque os dois são grandes rivais e nenhum vai querer perder para o outro a contratação de um atleta’’.
O jogador, que abandonou a concentração do Atlético na terça-feira à noite e foi para São José do Rio Preto, disse esperar, no entanto, que os dois times tenham bom senso para não serem tão radicais a ponto de prejudicar a sua carreira. ‘‘Temo que para não admitir que foi vencido, um ou outro time impeça na Justiça que eu possa voltar a jogar normalmente, ou que demore anos para que eu volte a atuar’’.
Cléber explicou ontem que não tem preferência por nenhum dos dois times. Segundo ele, sempre deixou claro que queria jogar no futebol paranaense, mas não necessariamente no Coritiba. ‘‘Falei que tinha carinho pelo Coritiba porque fui feliz quando passei pelo clube no ano passado. Mas isso não quer dizer que não queria jogar no Atlético ou no Paraná Clube’’.
O jogador explicou ontem que tinha acertado com o Atlético porque teve apoio do clube num momento em que estava em dificuldades financeiras.
Segundo Cleber, ele estava recebendo por mês apenas R$ 5 mil dos R$ 39 mil que tinha combinado com o Mérida. ‘‘Eles falaram que pagariam as diferenças de cada mês tudo junto no dia 30 de junho, o que não aconteceu. Fiquei em dificuldades financeiras e precisei até vender o carro’’.
De acordo com o atacante, nesse momento, o diretor do Atlético, Antônio Carletto, o procurou e disse que através da Justiça ele poderia jogar no Atlético. ‘‘Sabia que o Coritiba queria me contratar, mas que o Mérida não queria vender. Então a proposta do Atlético foi boa no momento, pois teria a chance de voltar a jogar, o que não iria acontecer no Mérida’’.
Cleber afirmou que está muito nervoso com a situação e que não vê a hora de tudo isso se acertar para poder voltar a jogar futebol. ‘‘No Coritiba ou no Atlético, quero voltar logo a jogar e fazer muitos gols. De preferência ainda nesse Brasileiro’’.

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