Claudemir Scalone
Claudemir Scalone
Futebol decadente
Folheando, no início da semana, um antigo tablóide da Folha de 1981, que traz detalhes da final do Campeonato Paranaense de Futebol de 1981, me pareceu quase inacreditável que Londrina e Maringá, as duas principais cidades do interior paranaense, estivessem cara a cara decidindo aquele título. Não pelo passado futebolístico dos clubes de Londrina e Maringá, mas devido à realidade melancólica dos dois times.
Este ano, o Maringá é o último colocado com quatro pontos. O Londrina é o penúltimo com seis pontos. Ambos rumo à Segunda Divisão. Pior do que a má classificação, é o futuro incerto dos clubes, que não têm dinheiro e têm poucos dirigentes à sua frente.
Bem, o Maringá Futebol Clube não é mesmo Grêmio de Esportes de Maringá, que já agonizou há algum tempo, e que protagonizou a final de 81 com o Tubarão. O que importa é que o futebol do Paraná não pode ficar sem a força de Londrina e Maringá.
O fortalecimento da dupla, que fazia um sadio e vigoroso Clássico do Café, é benéfico até para os clubes de Curitiba. Se no passado, Londrina e Maringá possuíam times fortes e levavam milhares de torcedores aos estádios, hoje, levam pouco mais de mil testemunhas.
Engraçado é que a decadência do futebol nas duas cidades coincida com o sucesso do basquete masculino do Grêmio/Londrina e do vôlei masculino do Telepar/Maringá. O profissionalismo dos esportes de quadra, amparado por figuras sérias como Ênio Vecchi, técnico do Grêmio, e Paulão, jogador e dirigente do Telepar, cativou os torcedores londrinenses e maringaenses a tal ponto que as duas cidades lideram as médias de público dos campeonatos nacionais de basquete e vôlei. Outro fator de atração são os novos ídolos como o americano Walter Aikens, no basquete, e Pampa, no vôlei.
No futebol, o processo foi inverso. Dirigentes de Londrina e Maringá se desfizeram de seus principais jogadores, não fizeram a reposição necessária, deixaram as dívidas se acumularem e se lixaram para o torcedor. Agora, pagam pelos erros do passado. Só mesmo uma nova mentalidade dos dirigentes pode salvar o futebol nas duas cidades e levar o torcedor de volta aos estádios.
Senão, o jeito será procurar os arquivos para matar a saudade do confronto entre Londrina e Maringá. Como na final do Paranaense de 17 anos atrás, quando o Tubarão, com gols de Paulinho e Carlos Alberto Garcia, bateu por 2 a 1 o Grêmio Maringá, gol de Silvinho, numa tarde de domingo do dia 29 de novembro de 1981, no Estádio do Café, para delírio de 43.412 pagantes.





