Claudemir Scalone
Claudemir Scalone
Tubarão periférico
A transformação dos clubes em empresas, prevista pela Lei Pelé, em tramitação no Congresso Nacional, pode abrir um imenso abismo entre os grandes, médios e pequenos clubes. Boa parte dos chamados grandes está bem estruturada e começa a se associar a empresas multinacionais e bancos.
A parceria do Palmeiras com a Parmalat é sucesso. A do Santos com o Unicor, apesar de o clube não ter conquistado ainda um título expressivo, segue na mesma linha. Ambos estruturaram suas categorias de base e vão mesclando jovens talentos com jogadores adquiridos de outros clubes. O Corinthians e o seu investidor, o banco Excel, ainda tentam acertar o rumo.
Mas isso é só começo. Em pouco tempo, pode-se prever uma radical mudança no panorama do nosso futebol se os grandes grupos financeiros investirem nos clubes. A tendência é termos um reduzido número de clubes poderosos, que abrigarão as principais estrelas da seleção brasileira e lutarão pelos títulos mais importantes do País, da América do Sul e do Mundial Interclubes, e algumas equipes médias e competitivas.
Quem não seguir o movimento, tenderá a desaparecer ou ficar no eterno sobe-e-desce dos campeonatos. É caso, por exemplo, do Londrina. O Tubarão perde a cada ano o bonde da história. Desde sua memorável campanha no Brasileiro de 1977, quando foi quarto colocado, seus dirigentes não souberam capitalizar o sucesso em campo para estruturar o clube.
Nem o recente sucesso de público na Série B do ano passado serviu para mudar o panorama da equipe. A entrada da Sociedade Amigos do Londrina (SAL) parecia significar a profissionalização de todos os setores do clube. Não foi o que ocorreu.
A SAL segue erros cometidos por outros dirigentes. Promete investir no trabalho de base, contrata o técnico Canhoto, depois o demite, traz jogadores desconhecidos e inexpressivos, decide jogar no VGD e, agora, volta para o Estádio do Café. Assim, não é surpresa a campanha ridícula do time em campo.
O vexame só não é maior porque a equipe foi beneficiada nos jogos contra Apucarana e Iraty, com pênalti contra não marcado e outro a seu favor. A continuar neste ritmo, o Tubarão vai se tornar um clube periférico, sem maiores aspirações.
Se os dirigentes não seguirem os passos de outros times e transformar o Londrina em uma empresa com planos e metas preestabelecidos, o torcedor do Tubarão não deverá alimentar muita esperança de ver o seu time conquistar um outro título estadual e nem de vê-lo voltar à primeira divisão nacional.





