Nova virada de mesa?
A lei Pelé pode acabar sendo uma brecha para os grandes clubes elitizarem e monopolizarem o futebol brasileiro. Está certo que os campeonatos estaduais são deficitários para a maioria dos participantes, senão para todos. Mas usar o artifício que dá poder aos clubes de criarem as tais ligas independentes para catapultar Fluminense e o Bahia da segunda divisão é no mínimo uma aberração.
Não sei se há um mecanismo que impeça mais esta virada de mesa no Campeonato Brasileiro. A Confederação Brasileira de Futebol não tem lá tanta moral assim para se impor e exigir que se cumpra qualquer regulamento.
Concordo que o Brasileirão ainda não é o ideal, pois disputa-se uma longa fase com jogos poucos atrativos e deficitários. Mas se a competição não é melhor é por culpa dos próprios dirigentes dos clubes que, ao primeiro sinal de fraqueza de suas equipes, rasgam regulamentos.
O tal torneio Independência, nascido da oposição de Flamengo, Fluminense e Botafogo à Federação de Futebol do Rio de Janeiro, pode ser um sinal de resgate do Flu das profundezas em que este clube mergulhou.
•••Triste a final do Brasileirão entre Palmeiras e Vasco. Em vez de gols e belas jogadas no jogo do Morumbi, o torcedor foi brindado com o ti-ti-ti sobre a expulsão de Edmundo e a estratégia do Vasco para garanti-lo na decisão de amanhã no Maracanã. O panorama não mudou no restante da semana: o principal assunto é o julgamento de Edmundo esta manhã na CBF. A final parece ter se resumido ao craque do Vasco.
Quanto ao julgamento em si, está tudo preparado para a absolvição de Edmundo. O Palmeiras não poderá reclamar, pois já utilizou o mesmo artifício para garantir Edmundo e Antônio Carlos numa decisão contra o Corinthians. Para um campeonato que começou com virada escandalosa de mesa, nada mais surpreenderá. Até mesmo se Eurico Miranda entrar no gramado do Maracanã para impedir um gol do Palmeiras. O fraco Brasileirão está tendo uma final merecida, onde a emoção está no tapetão do tribunal da CBF.
•••A Seleção Brasileira, do técnico Zagallo, deve mesmo ganhar este torneiozinho das Arábias. Sem nenhuma seleção de ponta, o Brasil vencerá a Copa do Rei só com o talento de seus jogadores. A pouco mais de 6 meses da Mundial da França, Zagallo não definiu o time titular nem o esquema de jogo. Ronaldinho, até então o seu único titular, decepcionou. Se Zagallo continuar com esta indefinição, o caminho para o penta tenderá a ser mais tortuoso do que foi o tetra nos EUA.

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