Claudemir Scalone
Sem susto
Escócia, Marrocos e Noruega. Nada que possa assustar o Brasil na sua caminhada rumo ao pentacampeonato mundial da Copa da França em 1998. Até prova em contrário, os adversários da seleção brasileira na primeira fase são meros coadjuvantes nesse Mundial inflacionado com 32 países. Assim, a seleção de Zagallo deve passar sem aperto para a segunda fase. Ruim mesmo só o velho hábito do arrogante treinador, que denunciou um suposto esquema anti-Brasil, às vésperas do sorteio dos grupos da Copa.
Vira e mexe, Zagallo sente o mundo contra si. Não é de hoje que o velho lobo padece dessa síndrome. Agora, ele fala em vingar a goleada sofrida este ano para a Noruega (4 a 2), num amistoso em Oslo. Nada mais infantil para um técnico calejado como Zagallo que deveria mostrar mais serenidade para o cargo que ocupa.
O treinador brasileiro deveria estar preocupado é com essa bagunça que virou a Seleção. O amistoso de amanhã contra a África do Sul é o maior fiasco dos últimos anos. Somente um jogador chegou na data certa a Johannesburgo. Na quinta-feira, apareceu mais um grupinho. Ontem, iria mais um catadão do Brasil. Até os timinhos de bairro, que marcam encontro num bar para se reunir, estão mais organizados.
O aumento de 24 para 32 seleções na Copa seguiu o ato político de João Havelange, presidente da Fifa, que diz estar se despedindo do cargo. Capaz de dar nó em pingo dágua, Havelange preparou o caminho para a eleição de Joseph Blater, o secretário-geral da Fifa. Dois canastrões que tentam ofuscar, sem sucesso, o brilho do rei Pelé. Agora cavalheiro na Inglaterra, Pelé vai acumulando títulos e entrando para a história. Seus detratores logo, logo estarão no limbo da memória.
A última rodada da semifinal do Brasileirão virou amistoso. Com Vasco e Palmeiras garantidos na decisão, os jogos de hoje e o de amanhã não terão a menor graça. Apesar das arbitragens e da falta de pontaria dos demais times, Palmeiras e Vasco mereceram chegar à final. Resta saber quem terá mais pique na hora H. A equipe carioca larga como favorita. Além de ter a vantagem do empate, tem Edmundo em fase inspirada e Evair, o garçom do ataque vascaíno. No conjunto, o Palmeiras é melhor, mas a excessiva preocupação defensiva do técnico Luiz Felipe Scolari pode prejudicá-lo.
Papel ridículo fez a torcida do Náutico, quinta-feira, no Recife, na derrota para o América-MG (2 a 0). A selvageria vista no Estádio dos Aflitos foi típica de timinho que não sabe perder e não merece subir para a Série A do Brasileirão.





