Claudemir Scalone
Claudemir Scalone
Castigo merecido
Depois de algumas jornadas sem brilho, o Campeonato Brasileiro deste ano deve ter uma das rodadas mais quentes dos últimos anos. Tudo porque grandes clubes como o Corinthians - até o Cruzeiro, com menos possibilidades - correm risco de descer para a segundona.
O Fluminense já foi punido. Está no seu merecido lugar: a Série B, da qual deveria ter participado já este ano. Mas se será mesmo rebaixado já é outra história. Não dá para botar a mão na fogo pelo que dizem os cartolas do futebol brasileiro. Regulamento de campeonato, então, é mera formalidade.
O Fluminense teve castigo merecido. Resta agora o Bragantino, que também foi anistiado este ano, ser apanhado pela degola do rebaixamento. Para que isto aconteça, é preciso que o Inter, já classificado, faça a sua parte e vença o Braga e que Criciúma, Bahia e Guarani - pelo menos dois deles - vencem seus jogos diante de Atlético-PR, Juventude e Vasco, respectivamente.
O técnico Zagallo criticado por boa parte da imprensa brasileira ganhou pontos esta semana ao não convocar o atacante Edmundo do Vasco para o amistoso da Seleção Brasileira, terça-feira, em Brasília. A indisciplina e a intempestividade de Edmundo não resiste mesmo a qualquer lobby.
Fez bem o velho lobo Zagallo em deixar o atacante na geladeira. O treinador sabe como seria prejudicial ao time brasileiro uma atitude violenta do jogador em uma Copa do Mundo. Além do prejuízo técnico, nosso futebol ganharia antipatia em vários cantos do planeta. Perderíamos o rótulo do futebol-arte, consagrado pelo mestre Telê Santana. Pior, talvez viéssemos a ganhar a alcunha de futebol-de-artes-marciais. Tudo por um ato impensado desse craque de gênio indomado.
Certamente, Zagallo não quer manchar o seu extenso currículo na seleção: ganhou duas Copas como jogador (1958 e 1962), uma como treinador (1970) - há quem conteste o seu dedo naquele time de Pelé & cia. - e outra como auxiliar-técnico (1994). Além do mais, temos pelo menos quatro jogadores em condições de fazer dupla de ataque com Ronaldinho: Romário, Bebeto, Muller e Rivaldo.
Por falar em Muller, o atacante do Santos foi chamado por Zagallo. Não custa lembrar que perdemos duas Copas com ele (1986 e 1990). Em 1994, Muller ficou na reserva de Romário e Bebeto. Hoje está mais maduro e desempenha papel semelhante ao de Evair no Vasco. Seu ponto forte são as assistências (passes), muito valorizadas no basquete americano. Mas ainda fica aquela dúvida se em jogos decisivos pela Seleção - lembram-se do jogo contra a Argentina em 90? - conseguirá ter a mesma eficiência e não tremerá à frente do gol adversário. É esperar pra ver.





