Adeus Maradona e Edmundo
A semana termina destacando dois jogadores temperamentais: o meia argentino Maradona, que anuncia sua oitava ‘‘aposentadoria’’ no futebol, e o atacante Edmundo, do Vasco, que voltou a mostrar o seu lado ‘‘bad boy’’. Craques de indiscutível talento, Maradona e Edmundo estão longe de ser apontados como bons exemplos no meio esportivo. Estrelas de primeira grandeza no futebol, ambos parecem ‘‘gostar’’ de trocar o noticiário das páginas esportivas pelas policiais.
Maradona, que levou a Argentina ao bicampeonato mundial de 1986 no México, não consegue se desligar das drogas. Seu currículo traz suspensões por casos de doping no futebol italiano e argentino, prisão e até agressões a jornalistas. Recentemente, fez um trabalho de preparação física com o velocista canadense Ben Jhonson, outro pego pelo exame antidoping nas Olimpíadas. Agora, Maradona quer dar um basta na onda de boatos que percorrem a Argentina e atingem sua família. O último que o irritou, dizia que o seu pai havia falecido e que ele tinha jogado dopado contra o River Plate.
Pela trajetória dos últimos anos, não há muito o que se lamentar pela despedida de Maradona. Aos 37 anos, ele já cumpriu sua função no futebol argentino e mundial. Sua chance de recuperação foi no Mundial de 94, nos Estados Unidos, mas o suposto doping na partida diante da Nigéria e a suspensão de 15 meses aplicada pela Fifa praticamente acabaram com sua carreira. Esse seu retorno ao Boca Juniors, por cifras milionárias, foi apenas uma tentativa de prolongar sua vida útil no futebol.
O incorrigível Edmundo aprontou de novo. Parece que era uma questão de tempo. Ele já tinha mostrado sua performance violenta no Palmeiras, no Flamengo e no Corinthians. Agora, no Vasco, fechou a boca para a imprensa e tentava mostrar nova imagem. Mas, às vésperas de mais uma convocação da Seleção Brasileira, o atacante deu aquela cotovelada desleal no goleiro Burgos, do River Plate, no jogo de anteontem pela Supercopa, e revelou o seu real caráter.
Justamente no momento em que o técnico Zagallo era assediado por forte lobby da imprensa e torcida para convocá-lo. Como pensar em chamar um jogador temperamental e violento, como Edmundo, para vestir a camisa amarela da seleção? Ninguém duvida que futebol ele tenha de sobra. Estão aí os números do Campeonato Brasileiro provando a boa fase do Vasco e de seu artilheiro. Mas falta-lhe frieza e habilidade mental para superar provocações e faltas cometidas pelos adversários. Este último episódio deve sepultar suas chances de defender o Brasil na Copa da França no próximo ano. A exemplo de Maradona, Edmundo bem que poderia ir pensando na sua aposentadoria do futebol.

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