A CBF uniu o útil ao agradável ao permitir a participação do Atlético Paranaense na Série A do Brasileiro e, ao mesmo tempo, garantindo a permanência dos rebaixados Fluminense e Bragantino na principal divisão do futebol nacional. A atitude não surpreendeu. A virada de mesa já era esperada.
Ricardo Teixeira e seus diretores sofreram pressões de todos os lados: dirigentes de clubes, federações e, principalmente, políticos fizeram seus lobbies. Em véspera de ano eleitoral, as velhas raposas sabem quantos votos rendem ‘‘uma boa causa’’ como esta e transformam o feito em plataforma eleitoral. É só conferir o pleito em 98 e verificar o nome destas figurinhas carimbadas na listas dos postulantes aos cargos políticos.



Especulava-se que até Londrina e Náutico seriam agraciados com vagas na Série A. Os londrinenses podem até reclamar da CBF de terem ficado de fora, mas seria vergonhoso e imoral o clube entrar dessa maneira no Brasileiro. O ‘‘cabo eleitoral’’ do Londrina era ninguém menos que o presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Moura, ex-deputado federal cassado por tentativa de compra de legendas. A hora era muito oportuna para Moura. Em 98, ele terá condições de voltar à ativa e caso levasse o Londrina à Série A teria incontáveis votos da torcida alviceleste.
Moura não é um caso isolado. Há muitos outros na mesma situação. Cada um vendendo o seu peixe. Fazendo do futebol um trampolim para suas aspirações políticas. Aí, vale tudo. Esquecer os ‘‘afazeres’’ em Brasília e ir ao Rio de Janeiro para dar uma forcinha ao clube de seu estado (mesmo não sendo torcedor da equipe), pois sabem que terão retorno nas urnas.
O Paraná deve comemorar a permanência do Atlético na Série A. Afinal, outros clubes citados por Ivens Mendes sequer foram punidos. Mas também deve repudiar a vitória da ética da malandragem no futebol retratada na ridícula figura de Eduardo Vianna, o Caixa d’água, presidente da Federação Carioca. Dirigente sem escrúpulos, ele não se importa em rasgar o regulamento do Brasileiro para evitar que o Fluminense dispute a Série B. Alguém ainda confia na cúpula da CBF?

Finalmente, o técnico Zagalo aboliu o tal esquema do ‘‘1’’ na seleção. Até hoje, nenhum jogador se encaixou na função inventada por ele. A solução foi voltar à tática do Parreira: defendendo em bloco e pouca gente no ataque. Denílson, contra a Colômbia, repetiu Zinho em 94 e jogou um futebol tipo ‘‘enceradeira’’.

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