A decisão do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, de dar a palavra final sobre a inclusão ou não de um outro clube no Brasileirão na vaga aberta pela injusta suspensão do Atlético Paranaense somente na quinta-feira, aumentou a agonia da torcida rubro-negra. Diretoria e torcedores do Atlético não devem depositar muitas esperanças em Ricardo Teixeira. Está claro que tudo foi feito para beneficiar o Fluminense. Pressões internas (o diretor jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, é torcedor do Flu) e externas (Federação Carioca, Clube dos 13 e diretores do Flu) dão mostras de como o ‘‘circo’’ foi armado. A saída é apelar à Justiça Comum e torcer para a criação de uma CPI no futebol brasileiro, porque o ‘‘jogo’’ já foi decidido num festival de cartas marcadas. Há motivos de sobra para esta certeza.Com a pressão dos lobbies do Clube dos 13 (a panelinha que pretende cartelizar o futebol nacional, como bem definiu o companheiro de Folha, Marcos Gouvea), de Eduardo Vianna (o Caixa d’água, presidente da Federação Carioca) e dirigentes do Fluminense (Edgar Hargreaves, vice-presidente de futebol do Tricolor, acompanhou Teixeira na França), a tendência é de que o clube carioca volte à primeira divisão.
Só a possível criação de uma Liga Nacional com os 16 principais clubes do País (incluindo o Coritiba) já é considerável força de pressão. Nem o mais ingênuo torcedor acredita que Ricardo Teixeira deixará escapar de seu controle tão rentável fonte de renda.
Afinal, o Clube dos 13 engloba as maiores torcidas do País, que proporcionam grandes arrecadações, que atraem fortes patrocinadores, que conquistam pontos importantes no ibope das TVs, enfim, que criam a fatia mais importante do rico e mal explorado futebol brasileiro.
A confiança de Eduardo Vianna de que o Fluminense está incluído no Brasileiro é tanta que fez uma aposta maluca: ‘‘Se o Fluminense ficar fora, eu rasgo minha roupa e fico nu.’’ Na mesma entrevista, Vianna ameaçou Teixeira: ‘‘O Ricardo não é louco de comprar uma briga comigo e com o Clube dos 13.’’
Vianna é a síntese dos dirigentes que vêm comandando o futebol nacional. Sem escrúpulos, são capazes de vender até suas mães. Duas frases ditas pelo dirigente carioca definem bem o seu caráter: ‘‘Para mim, a opinião pública não vale nada’’ e ‘‘a ética não é ditada pela opinião pública, mas pelas lideranças’’. Precisa mais.

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