O atacante Marcelo Negrão, num repente de loucura, abandonou a seleção brasileira de vôlei. Tem até música nas paradas das rádios pra combinar com a onda amalucada: ‘‘É Coisa de Maluco’’, do grupo Think About. Na política, Lula, o líder do PT, chamou de ‘‘doido de pedra’’ o economista Paulo de Tarso Venceslau, que faz acusações ao partido.
Só falta acusarem de malucos também o tal Senhor-X (o da denúncia da compra de votos pró-reeleição) e os envolvidos na CPI dos precatórios. Pra completar, tachar Ivens Mendes (o ex-mandachuva da Conaf) de louco e livrar a cara dos presidentes Alberto Dualib (do Corinthians), Mário Celso Petraglia (do Atlético) e Ricardo Teixeira (da CBF).
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Dentro de campo também há muitos malucos. Jogadores de ‘‘pavio curto’’ que prejudicam seus clubes com atitudes intempestivas. Talentosos ou não, irreverentes, brigões, indisciplinados e violentos são alguns dos adjetivos para defini-los. São tantos que daria para fazer um time de malucos.
No gol, Ronaldo (desbocado goleiro do Corinthians); Vitor (lateral viril do Cruzeiro), Júnior Baiano (zagueiro do Flamengo que alia técnica à violência explícita), Parreira (becão do Bahia que ameaçou de morte o meia Preto do Vitória) e Nonato (lateral do Cruzeiro que agrediu uma assistente de arbitragem num jogo diante do Corinthians); Dinho (xerife que arrepia no meio-campo do Grêmio), Válber (habilidoso zagueiro do São Paulo, mas desmiolado), Djalminha (meia do Palmeiras esbanja talento e rebeldia) e Marcelinho (meia do Corinthians capaz de um lance genial num momento e um pontapé desleal em outro); Edmundo (o vascaíno é o típico badboy) e Romário (atacante do Flamengo, hoje em fase mais cool, já brigou com o técnico Luxemburgo, companheiros do Fla e com o lateral Cafezinho, do Bangu).
Pra comandar estas feras só um técnico mais maluco ainda: Serginho Chulapa, ex-treinador do Santos e Botafogo-SP. No seu tempo de jogador do São Paulo, foi suspenso por agredir um bandeirinha e acumulou desavenças com adversários. O ex-goleiro Emerson Leão provou da maldade do atacante: levou um chute no rosto no jogo São Paulo 0 x Grêmio 1, na final do Brasileirão de 1981, vencido pelo time gaúcho.Coisas de maluco
Definitivamente, 1997 é um ano de maluquices. O bordão ‘‘Ah, eu tô maluco’’, nascido nos bailes funks do subúrdio carioca, ganhou os estádios do Rio e do Brasil afora. Teve versão nova com a torcida do Grêmio, campeão trilegal da Copa do Brasil: ‘‘Ah, eu sou gaúcho’’. Torcedores do Timão lançaram o ‘‘Ah, eu sou Corinthians’’.

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