Londres - Um duelo entre dois grandes. Ou melhor, entre um grande e outro que quer voltar a ter esse status. A seleção brasileira masculina de basquete encara nesta quarta, às 16 horas (de Brasília), a Argentina, um rival que admira, respeita e inveja. E isso no jogo mais cruel do torneio: se perder no duelo das quartas de final, o time comandado por Ruben Magnano dá adeus ao sonho de uma medalha, algo que o basquete não saboreia desde 1964.
O trabalho de Magnano alçou o Brasil a outro patamar. A equipe voltou a ser respeitada. Mas levou um duro banho de realidade no Mundial da Turquia, em 2010. A equipe simplesmente não conseguiu marcar o pivô Luis Scola, grande responsável por despachar o Brasil da competição. Resultado: nono lugar e um gosto amargo na boca.
Mesmo sem importantes jogadores como Varejão, Nenê e Leandrinho, o Brasil conseguiu a vaga no pré-Olímpico de Mar del Plata, com uma grande vitória sobre os argentinos na fase de classificação, e uma derrota na final, quando a vaga para Londres já estava garantida.
Magnano deixou escapar, numa entrevista a um jornalista argentino, que o Brasil ainda não está completo. Quando viu que havia um representante da imprensa brasileira por perto, arregalou os olhos, mas já era tarde. ''Sempre falta alguma coisa'', desabafara.
No torneio olímpico, o Brasil ainda não conseguiu uma vitória capaz de dar estabilidade, de transmitir confiabilidade. Nervoso, o time de Magnano superou Austrália e Grã-Bretanha a duras penas. Perdeu para a Rússia com uma cesta nos segundos finais e depois superou China, um adversário fraquíssimo, e Espanha, que não se esforçou muito para ganhar.
Magnano vem caprichando em discursos eloquentes. Usou uma bela frase, que ao mesmo tempo demonstra todo o seu respeito pela Argentina, além de valorizar seu grupo. ''Não há nada mais perigoso do que uma equipe com fome de glória, uma equipe por natureza vencedora como a Argentina. Mas interiormente tenho a sensação de que também temos essa fome''.
A Argentina vem emitindo os últimos sinais de brilho de uma geração que chegou ao ápice em 2004, com o ouro olímpico de Atenas. Em 2008, ficou em quarto lugar em Pequim. Mesmo envelhecido, o grupo sabe encontrar os caminhos da vitória, principalmente quando o adversário é o Brasil.

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