Clássico opõe time high-tech a conservador
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sexta-feira, 23 de outubro de 1998
Agência Folha 
As diferenças entre São Paulo e Corinthians, que fazem clássico hoje no Morumbi, vão além do desempenho e da campanha das equipes no atual Campeonato Brasileiro. É no comando que a disparidade entre os times fica mais ressaltada. Ao Corinthians, praticamente classificado, o jogo vale para garantir condição melhor no playoff, fase para a qual os quatro melhores vão com vantagem. Ao São Paulo, praticamente desclassificado, a partida serve para que os jogadores evitem ser encaixados na lista de cortes que o técnico Mário Sérgio prepara para 99.
No estilo de orientar a equipe, enquanto o técnico corintiano é figura constante nas transmissões de TV, ao passar ordens ao time gesticulando intensamente, o são-paulino Mário Sérgio prefere acompanhar a equipe dos andares superiores do estádio.
Ninguém consegue ver p... nenhuma lá de baixo e nenhum jogador te ouve. Eu não vou ficar fingindo. Prefiro ficar lá em cima, e quando chega o intervalo eu desço respirando, refletindo, pego o quadro negro e mostro em que ponto erraram, aponta Mário Sérgio.
O uso de artifícios tecnológicos nas preleções e para passar situações de jogo é outro ponto de divergência entre os treinadores. Enquanto Luxemburgo adota o estilo high-tech, com filmagens de jogos e treinos, informática e psicóloga para o time, Mário Sérgio se mostra hostil às inovações, assumindo um caráter conservador: Eu não sei fazer jogada em computador, mas não critico quem faz.
Luxemburgo prefere evitar polêmica e se diz preocupado só com a partida. Respeitamos o São Paulo, que ainda não está morto. Temos que pensar na vitória para tentarmos ficar entre os quatro primeiros.


