Jogo é jogo e clássico é clássico. No futebol, a máxima se aplica toda vez que a rivalidade entre duas equipes ultrapassa os limites do campo e chega às raias da histeria. No último sábado, o Estádio do Café em Londrina foi o palco escolhido para sediar um confronto dessa natureza envolvendo um combalido, mas ainda orgulhoso, Londrina Esporte Clube (LEC) e uma motivada, e pretensiosa, Portuguesa Londrinense, em partida válida pela Copa dos 100 Anos. Quem observou apenas o placar - um aguado empate em 1 a 1 - não percebeu as cores quentes que preencheram mais uma página da história envolvendo esse clássico.
Toda partida clássica pressupõe certas peculiaridades. Não existe clássico, por exemplo, sem herói, mocinho e bandido. O enredo tem que ter suspense, vilanias, ironia, superação, bravura. E teve tudo isso no clássico entre o Tubarão e a Lusa. A única coisa que faltou no Café na tarde de sábado foi o torcedor. O público pagante foi de apenas 180 pessoas, menos do que as 209 que entraram de graça. Não se viu bandeiras, fogos não pipocaram e os gritos de guerra se calaram.
Dentro de campo, entretanto, o confronto começou como o imaginado. Não que se esperasse grandes apresentações coletivas de ambas as equipes, mas houveram sim os ingredientes de um clássico. Com a vantagem de ser o único time londrinense ainda com alguma chance na Copa 100 Anos, a Lusa começou atacando. O Tubarão acreditou e arriscou algumas investidas sem muita objetividade. Mas uma jogada meio inesperada faria os poucos torcedores ''lusitanos'' saltarem das cadeiras. Almeida recebeu a bola longe da área, bateu à meia-força e fez um a zero para Portuguesa.
O clássico seguiria assim até a volta para a etapa complementar. As mudanças de lado a lado elevaram a temperatura no gramado e o tempo mudou de vez. Entraram em cena os cartões empunhados pelo árbitro Cléber de Jesus Ludwig, que também é de Londrina. Com o vermelho, ele expulsou três do LEC e mais dois da Portuguesa. Com os amarelinhos, ele fez um estrago futuro considerável para as duas equipes. O jogo parecia fácil para a Lusa até que, aos 35 minutos surgiria a figura do herói para o Tubarão. Oportunista, o lateral Igor esperou uma cobrança de falta no segundo pau, escorou a sobra e deixou tudo igual.
Para o técnico da Lusa, Edson Vieira, seu time tinha que ter vencido de muito. ''O Londrina escapou de uma goleada hoje'', comentou, completando que seus comandados não ganharam porque não souberam definir. Pelo lado do Tubarão quem respondeu foi o herói Igor: ''nosso time teve vergonha na cara e mostramos como não se perde um clássico. Lutamos bastante e graças a Deus fomos merecedores desse resultado'', finalizou.
Outros jogos - O Roma derrotou o Cianorte em casa por 3 a 2 e se isolou na liderança da competição. Em Curitiba, o Atlético B perdeu por 1 a 0 para o Toledo. No jogo dos lanternas, o Iguaçu fez 3 a 2 no Paraná B. A partida entre J. Malucelli e Iraty foi suspensa aos 20 minutos do primeiro tempo por causa da chuva. O duelo foi transferido para hoje, às 16 horas.

EM LONDRINA

Londrina 1

João Carlos; Valdir, Daniel e Robson; Baiano, Círio, Paulista, Diego (Rodrigo) e Igor; Ivan e Eduardo Rato (Edson Baby). Técnico: Lio Evaristo

Portuguesa 1

Osmar; Dênis, Baesa, Luis Henrique e Givanildo; Almeida, Robert (Roberto Macena), Aléssio e Biro (Marco Antônio); Danielzinho e Ézio (Roberto). Técnico: Edson Vieira

Árbitro: Cléber Jesus Ludwig
Estádio: do Café
Gols: Almeida, aos 34 minutos do 1º tempo; Igor, aos 36 minutos do 2º tempo
Expulsões: Daniel, Robson, Valdir, Luis Henrique e Dênis

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