Clássico coloca em campo décadas de rivalidade
São Paulo - Palmeiras e São Paulo fazem um ''jogo de seis pontos''. Quem vencer dá enorme passo rumo às semifinais. Quem perder fica em situação difícil. E o clássico promete não só pelo bom nível técnico das duas equipes, mas também pela rivalidade, que não se restringe só ao que acontece dentro de campo. Fora dele, os dirigentes vêm se estranhando há décadas.
''Tudo começou em 1942'', recorda o diretor de planejamento do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo. ''O São Paulo fez pressão contra o então Palestra Itália. Houve muito ressentimento por parte dos palmeirenses. Isso dura até hoje.''
O episódio ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial. A Itália fazia parte do Eixo, com Alemanha e Japão. Os brasileiros estavam do lado dos Aliados, liderados por EUA, Inglaterra e União Soviética. O então presidente Getúlio Vargas decretou que clubes e associações brasileiras não poderiam possuir nomes estrangeiros ligados aos inimigos de guerra, sob risco de perda do patrimônio.
O Tricolor, que ainda não havia construído o Morumbi, fez pressão contra o Palestra, que precisou mudar de nome, em 1942. O ''recém-nascido'' Palmeiras foi campeão paulista naquele ano justamente em cima do São Paulo. ''A rivalidade é muito forte, mas precisamos tomar cuidado para que não se extrapole e que fique somente em campo'', diz Belluzzo.
A rivalidade voltou a esquentar nos últimos anos. Os palmeirenses acusam os são-paulinos de atravessar as contratações de vários jogadores e também de ''roubar'' Ilsinho - o ala hoje está na Ucrânia (no Shakhtar), mas seu caso ainda tramita na Justiça do Trabalho de São Paulo. (Agência Estado)





