São Paulo, 07 (AE) - Uma equipe com 220 civis divide com a Polícia Militar a função de cuidar da segurança dos torcedores durante os jogos do Primeiro Mundial de Clubes realizados no Morumbi. Por determinação do comitê da Fifa, que organiza a competição, os civis, que fazem parte da empresa especializada em segurança, a Century, que presta também serviço ao São Paulo, fazem a linha de frente em quase todos os setores do estádio, cuidando da entrada e saída dos torcedores do estádio. Eles até cuidam da divisão da torcida entre um setor e o outro da arquibancada, função que normalmente é atribuída ao 2.º Batalhão de Choque da Polícia Militar.
Vestindo terno e gravata, cada civil, que não conta com nenhum tipo de armamento, tem função de orientar os torcedores sobre o local exato do seu lugar, as rampas de acesso, e o setor devidamente reservado, de acordo com a numeração do seu ingresso. Marcos Inchausti, é quem faz o intercâmbio entre o comitê organizador da Fifa e o serviço de segurança durante a competição. "Diante dessa atenção que estamos dando aos torcedores, não se nota que ninguém sequer pula uma grade para mudar de setor", disse Inchausti.
Para o tenente-coronel Silvio Villar, comandante do 2.º Batalhão de Choque da PM, a presença dos seguranças no Morumbi tem facilitado o trabalho da polícia, que cuida do policiamento ostensivo, e do serviço externo no estádio. Mesmo com o reforço dos seguranças, a PM, segundo Villar, destacou 358 soldados para os jogos do Mundial. Na primeira rodada da competição, realizada quarta-feira, a PM não registou nenhum tipo de incidente no estádio.
A falta de torcidas rivais, e diante de um público considerado pequeno (pouco mais de 10 mil torcedores assistiram aos jogos de quarta-feira), o tenente-coronel determinou que a metade do seu pessoal voltasse ao quartel. "Muitos deles estavão sem função no Morumbi", disse Villar, que, não acha que o futebol brasileiro esteja preparado para dispensar boa parte do trabalho da PM nos estádios, principalmente na divisão das torcidas nas arquibancadas. "Infelizmente, não temos condição nem de deixar um policial à paisana para fazer esse tipo de trabalho, por causa dos confrontos entre torcedores."
Silvio Villar disse ainda que as reformas na frente do portão do estádio do Morumbi, isolaram esse setor dos torcedores, que deixaram de circular naquela região antes da partida. Com isso, as delegações das equipes podem entrar e sair do estádio sem sofrer nenhum tipo de hostilidade da torcida. Segundo Inchausti, a entrada ao estádio dos atletas era uma das maiores preocupações dos dirigentes da Fifa. Nas finais do Brasileiro, eles perceberam que os ônibus das delegações tinham dificuldades para entrar no estádio, por causa da presença dos torcedores. Por isso, o setor foi isolado com paredes pré-montadas. Ao lado, o comitê montou a zona mista, na qual os jogadores e os atletas dão entrevistas, após a partida, antes de deixar o estádio.