Uma polêmica tomou conta do futebol londrinense nos últimos dias após o anúncio de que o estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD) será palco das estreia de City London e Portuguesa Londrinense na 3ª divisão do Campeonato Paranaense neste sábado (30). A atualização da novela é que o novo clube da cidade informou nas redes sociais que pretende mandar todos os seus jogos da competição no VGD, algo considerado inviável, já que o estádio pode receber, em setembro, partidas do Londrina pelo quadrangular do acesso da Série C do Brasileiro, inclusive nas mesmas datas.

Além da estreia, as outras duas partidas do City London estão marcadas para dois sábados consecutivos: dia 13, contra a Portuguesa Londrinense, e dia 20, diante do Cambé. As datas, no entanto, podem coincidir com compromissos do Londrina no quadrangular de acesso, a depender do chaveamento da Série C. Vale destacar que, segundo a tabela detalhada pela Federação Paranaense de Futebol (FPF), os dois jogos em questão estão marcados para o estádio do Café.

A FOLHA apurou que o Londrina não reconhece essa decisão e avalia que “não há cabimento” no momento. O clube investiu recentemente na reforma do gramado, que ainda apresenta falhas e acúmulo de areia, justamente para oferecer as melhores condições possíveis nos jogos que podem marcar o retorno à Série B após dois anos.

A realização das partidas de estreia do City London e da Portuguesa Londrinense no VGD foi, na verdade, fruto de um acordo com o LEC após solicitação da Fundação de Esportes de Londrina (FEL). O motivo é que o Café está interditado para reforma do gramado, enquanto o Uady Chaiben, da Vila Santa Terezinha, não possui os laudos necessários para receber jogos profissionais.

O caso expôs um choque de narrativas sobre a utilização do VGD. O ex-presidente do Londrina e ex-vereador Célio Guergoletto afirma ser o autor de um substitutivo apresentado em 1999 que, segundo ele, obrigaria o LEC a ceder o estádio para outros interessados. O substitutivo alterava a Lei nº 4.313, de 6 de setembro de 1989, que autorizava o Executivo Municipal a conceder ao Londrina a permissão de uso do VGD.

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Sancionada pelo então prefeito Antônio Belinati, a nova Lei Ordinária nº 7.729/1999 estabeleceu que o clube poderia cobrar até 15% da renda das partidas para manutenção do estádio, além de uma taxa mínima correspondente a três salários mínimos para jogos diurnos e quatro para noturnos. No entanto, o texto não menciona expressamente a palavra “obrigação”.

Entretanto, mais recentemente, em 2024, a Prefeitura prorrogou por mais dez anos a cessão do VGD ao Londrina por meio do Decreto nº 425/2024. O documento autorizou o clube a realizar adequações e reformas na estrutura física, visando restabelecer as plenas condições de uso do estádio.

Como contrapartida, a Squadra Sports, SAF que administra o Londrina, investiu mais de R$ 10 milhões em obras no estádio para quitar uma dívida do clube com o município, de 1998. O decreto também definiu deveres claros: o Londrina deve arcar com encargos, zelar pelo imóvel e realizar benfeitorias. No artigo 3º, o texto é explícito ao proibir o clube de ceder o VGD, total ou parcialmente, de forma onerosa ou gratuita, a outras entidades. A única exceção seria se houvesse decisão direta da prefeitura, como no caso do pedido da FEL para os jogos de abertura da Terceirona.

A FOLHA tentou contato com a diretoria do City London, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

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