Circuito de Sepang põe pilotos à prova
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quarta-feira, 14 de março de 2001
Agência Estado De Sepanga, Malásia 
Para as equipes que não foram bem na Austrália, a desculpa estava na ponta da língua, pista de rua, o que mascara um pouco o potencial de cada um. Ninguém questiona na Fórmula 1 a procedência da alegação. Mas a partir de hoje à meia noite, horário de Brasília, quando começam os treinos livres para o GP da Malásia, segunda etapa do campeonato, o que dirão os que não corresponderem ao que se espera deles? O espetacular circuito de Sepang representa a última concepção em seletividade à pilotagem, segurança e solicitação e resistência do equipamento.
Talvez para não expor-se desde já ao calor desumano da região do autódromo, quase nenhum piloto esteve ontem na pista. Hoje, a contenção da velocidade dos carros deverá ser o tema principal das conversas no paddock, área atrás dos boxes, mas ontem já houve quem se pronunciasse. Não penso que será negativo para a imagem da Fórmula 1 se restringirmos a potência dos motores para diminuir um pouco as velocidades, disse Eddie Irvine, da Jaguar. Um motor com 2,5 litros (hoje tem 3,0 litros) e V-6 (em vez de V-10, como agora) seria uma boa solução, propõe.
O presidente da Federação Internacional de Automobilimo (FIA), Max Mosley, já adiantou que a entidade irá alterar o regulamento em plena temporada se a escalada da velocidade verificada na Austrália repetir-se na Malásia e no Brasil. Irvine não foi o primeiro a defender a redução da potência do motor e não mudanças no chassi ou pneus para tornar os carros mais lentos. Martin Whitmarsh, diretor de operações da McLaren, também acha esse o melhor caminho. Diminuir o volume do motor para 2,5 litros me parece a melhor forma de conter esse avanço.
Com equipes como a Toyota, que irá estrear em 2002, e já tem no banco de provas um motor 3,0 litros, assim como a garantia de estabilidade nessa área dada por Mosley aos fabricantes, a sugestão de Irvine e Whitmarch tem poucas chances de ser adotada. O importante é que já se fala no assunto, o que dá a entender que muita gente na Fórmula 1 dá como certa a alteração das regras. As colocações dos dois refletem, no entanto, uma antiga mágoa dos que dirigem as equipes: a culpa cai sempre sobre elas e não os construtores de motores. O que tem de cortar é a potência do motor e não ficar impondo-nos restrições aerodinâmicas e mecânicas, afirma John Barnard, técnico que trabalha para a Prost.
O serviço de meteorologia da Malásia informou ontem que são esperadas chuvas nos próximos dias, mas não nos horários da sessão de classificação, amanhã das 2 às 3 horas, e durante a prova, domingo, às 4 horas da madrugada, sempre horário de Brasília. A temperatura irá variar de 33 a 36 graus. Não há previsão para a umidade do ar, mas ela não baixa de 90%.


