São Paulo - O clássico de maior rivalidade do futebol paulista reunirá dois times em situações opostas, hoje, a partir das 16 horas, no Estádio do Morumbi. Enquanto o Corinthians, rebaixado no Campeonato Brasileiro do ano passado, surpreende a todos com uma campanha de cinco vitórias, cinco empates e uma derrota que o coloca em 4º lugar, o Palmeiras formou um time milionário, mas ainda não desencantou, tendo começado a rodada no 9º posto do Campeonato Paulista.
A vitória no jogo de hoje é uma questão de honra para os dois times. Para corintianos é uma forma de provar que o novo elenco dará muitas alegrias ao sofrido torcedor, que não abandonou o clube nem mesmo com o descenso no Brasileirão. Já os palmeirenses precisam do triunfo, pois sua torcida não admitirá uma derrota para um ''time de Segunda Divisão'', como foi propagado durante a semana.
Depois de dispensar mais de 20 atletas ao final da última temporada, o alvinegro apostou em contratar atletas, 15 no total, sem custo ou que tinham multa rescisória mais em conta. Não fez loucuras ao trazer reforços e diminuiu a folha de pagamento em 30% em relação ao ano passado.
''O atual elenco do Corinthians é vitorioso, mas só que aqui não há a badalação que aconteceu no Palmeiras, que contratou jogadores como o Diego Souza'', resume o volante Perdigão, contratado junto ao Vasco. ''Eu, por exemplo, sou campeão mundial, da Libertadores e da Recopa'', afirma o jogador, em referência aos títulos conquistados com o Internacional.
Uma prova de que são outros os tempos no Parque São Jorge é que o maior salário da equipe (R$ 250 mil) está fora das quatro linhas. Trata-se do técnico Mano Menezes, a ''estrela'' do time e especialista em montar equipes sem astros.
No Palmeiras foram nove contratações, que custaram R$ 19 milhões. A maior parte (R$ 17,5 milhões) foi investido pela Traffic, parceira do clube, que bancou a vinda de Diego Souza (R$ 10 milhões), Henrique (R$ 6 milhões) e Lenny (R$ 1,5 milhão). O resto foi pago pelo próprio clube no empréstimo de Kléber e em luvas para as contratações de Elder Granja e Alex Mineiro.
Desde a época da Parmalat, nos anos 90, o palmeirense não via tanto dinheiro investido ser no time. Daí a expectativa criada para a temporada. ''Acho que, independentemente dos valores investidos, é preciso tempo para que o time se acerte em campo'', diz o meia Diego Souza, cuja contratação foi mais cara do que a de todos os 15 reforços do Corinthians juntos.
Até agora, o econômico Corinthians, quatro pontos e cinco posições à frente na classificação, se mostrou mais eficiente que o gastador Palmeiras. Mas os corintianos dão pouca importância as cifras. ''Isso (a diferença desses valores) não dá favoritismo para nenhuma das equipes no clássico'', diz o volante Carlão. ''Não é porque o Palmeiras gastou mais em contratações que irá vencer o jogo'', completa ele, que, domingo, irá atuar mais uma vez como zagueiro.

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