Atenas - Os atletas brasileiros se preparam como podem para conseguir um bom resultado na Olimpíada. Boa parte da delegação teve algum tipo de acompanhamento psicológico ou científico antes de desembarcar na cidade grega. Nos esportes coletivos o importante, além de conhecer o adversário, é conhecer o próprio companheiro de equipe. Já na equipe individual, a autoconfiança é que fala mais alto.
Segundo o psicólogo da delegação brasileira em Atenas, Dietmar Samulski, também presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte, o atleta precisa saber lidar muito bem com o emocional para alcançar o que deseja. ''Se tivermos dois atletas em condições iguais na mesma prova, vai ganhar o que estiver melhor preparado psicologicamente'', diz.
Em março deste ano, durante a disputa do GP Brasil de Atletismo, o paranaense Jadel Gregório, classificado para as provas de salto triplo e distância, criou uma polêmica ao anunciar com muita confiança que estaria no pódio em Atenas. Para Samulski, isso não causa espanto. ''O nível de stress é muito maior para quem disputa uma prova individual, como é o caso do Jadel. Mas esta explosão mostra muita confiança'', explica.
O curitibano Emanuel, do vôlei de praia já tem um perfil bem diferente do ''explosivo'' Jadel.. ''Sou muito calado'', diz, ressaltando que muitas vezes precisa da explosão do companheiro Ricardo para ter mais garra em quadra. ''Ele me dá energia para voltar ao jogo. Vai para o bloqueio, grita. Acho que nesta parte formamos uma dupla perfeita. Na hora que ele está muito agitado eu o acalmo e vice-versa'', confessa o atleta que já esteve em duas Olimpíadas com companheiros diferentes Atlanta (96), com Zé Marco; e Sydney (02), com Loiola.
Durante a fase de preparação a dupla apostou na ciência para melhorar a parte psicológica durante a Olimpíada. Acompanhados da doutora em ciência esportiva Joice Stefanello, respondiam um questionário de 30 perguntas após cada partida que disputavam. ''Passamos a ver o que fazíamos de errado e a corrigir juntos. O trabalho mental, no nosso caso, serviu para juntar a equipe'', disse, lembrando que hoje reagem muito melhor as provocações dos adversários, o que melhora o rendimento deles em quadra.
A seleção brasileira de handebol masculino contou com o apoio de uma psicóloga durante os seis meses de preparação. ''O objetivo do trabalho era fazer a equipe se conhecer melhor'', diz o amador SB, que já disputou duas Olimpíadas pelo Brasil (Barcelona 92 e Atlanta 96). ''Só conhecendo a particularidade de cada um podemos passar a respeitar mais o nosso companheiro. Não é todo dia que todos estão num bom dia. Precisamos respeitar a individualidade de cada um mesmo estando em grupo'', completa o ponta-direita Tupan.

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