Detectar novos talentos esportivos através de uma pesquisa genética. Esse é o grande objetivo do Projeto ‘DNA Olímpico’, que será lançado hoje em uma cerimônia marcada para as 9 horas, no Palácio das Araucárias, em Curitiba. O programa, que é inédito no setor público brasileiro, é gerido dentro da Secretaria de Estado do Esporte pelo Instituto Paranaense de Ciência do Esporte (IPCE).
O projeto já está em andamento há mais de um ano e tem como coordenador o professor do departamento de Ciências do Esporte da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Antônio Carlos Dourado. Em entrevista à FOLHA, ele conta que o projeto servirá para direcionar treinamentos para as mais de 12 mil crianças que farão parte dos projetos de iniciação esportiva administrados pela Secretaria de Estado do Esporte.
"Com essa base de dados, vou ajudar o técnico a direcionar o seu trabalho, fornecendo mais informações para quem vai trabalhar diretamente com essas crianças. Eles terão uma uma noção mais aprimorada, uma informação científica das condições que cada criança reúne para esses quesitos relacionados às características de cada modalidade", explica Dourado, que atualmente é o gestor da área de inovação e desenvolvimento do esporte da pasta.
As pesquisas, segundo Dourado, se baseiam em dois genes que indicam características da formação do tecido muscular de cada pessoa. "Existem vários genes, vários polimorfismos que podem identificar desempenho humano e a gente vai fazer análise de dois genes que estão relacionados com o desempenho humano, a ACTN3, que é a alfaquitinina, e o ace, a angiotensina", conta o pesquisador.
Através deles será possível identificar as características de cada novo atleta e direcioná-lo para a modalidade para qual terá mais aptidão. "Eles dão indicadores basicamente se o indivíduo reúne geneticamente maiores condições para desempenhar força ou velocidade. Ou então, se não apresentar esses indicadores, significa que ele tem uma condição mais adequada para provas de resistência, de ‘endurance’", exemplifica o coordenador do projeto.
"A ideia é identificação do talento esportivo a partir da informação genômica, de dados genéticos. É uma inovação de pesquisa genética desenvolvida nos países de primeiro mundo", destaca o pesquisador, frisando também que a meta é "tentar fazer o maior número de investigações possível".
O secretário de Esportes do Paraná, Evandro Rogério Roman, ressaltou a importância do novo projeto para o esporte do estado. Ele acredita que o programa será capaz de ajudar a tornar o Paraná um formador de atletas de grande representatividade para o Brasil nos próximos anos. "O DNA Olímpico é uma inovação do Governo do Estado do Paraná, que valoriza o esportista paranaense e que dá ao estado condições de contar com grandes nomes do esporte brasileiro no futuro", encerrou.

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