Cielo volta aos EUA de olho em recorde
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Daniel Brito<br> Agência Estado 
São Paulo - César Cielo embarca amanhã para os Estados Unidos, onde voltará a treinar na Universidade de Auburn, no estado do Alabama, ao lado do técnico australiano Brett Hawke. Desde que ganhou a medalha de ouro nos 50 metros livre nos Jogos de Pequim, em agosto, o nadador brasileiro não retorna ao local onde se preparou para a Olimpíada.
''Se quiser continuar vencendo, preciso voltar para Auburn'', justificou César Cielo, ontem, em sua última entrevista coletiva antes de partir para os Estados Unidos. A principal competição desta temporada é o Mundial de Desportos Aquáticos, em Roma, cujas disputas de natação serão de 27 de julho a 2 de agosto.
Pelo discurso, até parece que César Cielo está em baixa, amargando derrotas nas piscinas nacionais. Mas ele se refere ao aspecto motivacional. Com o ouro olímpico no peito, ele retorna aos Estados Unidos para não se deixar levar pela badalação. ''Se cogitei ficar no Brasil é porque estava tudo muito bom'', explicou o nadador.
O campeão olímpico também não hesitou em afirmar que os dois rivais mais próximos, os franceses Amaury Leveaux e Alain Bernard - respectivamente, medalhistas de prata e bronze na Olimpíada de Pequim -, estão à sua frente no aspecto psicológico. ''Não tenho como controlar meus adversários, mas eles devem estar numa pilha maior do que eu estou agora'', admitiu César Cielo.
César Cielo se apega ao recorde mundial nos 50 metros livre para não se acomodar com a glória olímpica. Sua melhor marca na prova (21s30), alcançada justamente na final dos Jogos de Pequim, está dois centésimos acima do que já conseguiu o australiano Eamon Sullivan, dono do melhor tempo do planeta. ''O que está faltando para mim é o recorde mundial. Vou buscar melhorar minha marca em pelo menos três centésimos e ser o cara mais rápido na piscina na história'', avisou o brasileiro.
Com a estranha mania de escrever em um papel o tempo que pretende alcançar e mantê-lo em segredo absoluto até que o alcance, César Cielo não revela o quão rápido pretende nadar. Mas, pelo visto, não vai ser nada fácil. ''Meu tempo está bem guardado. Não vou falar. Só posso dizer que é bem baixo. É forte mesmo'', admitiu.
Apesar da viagem aos Estados Unidos, ele voltará ao Brasil daqui a duas semanas, para disputar o Desafio Internacional de Florianópolis, no dia 14 de fevereiro. E antes do Mundial, ainda participará das edições do Grand Prix de Ohio e de Missouri, ambos nos Estados Unidos, além do tradicional Troféu Maria Lenk, em maio, no Rio de Janeiro.
Roupa
César Cielo também trabalha para encontrar a melhor fórmula do maiô de competição. Ele tem até fevereiro para, juntamente com a Arena, marca de material esportivo que o patrocina, apresentar à Federação Internacional de Natação (Fina) o modelo que pretende competir nesta temporada.
A tarefa está se mostrando tão complicada quanto evitar o assédio após o título olímpico. ''Estou testando o quatro protótipo, desde novembro. É muito difícil encontrar um modelo ideal'', assumiu César Cielo.


