Cidade das Orquídeas se rende aos tratores
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terça-feira, 18 de novembro de 2008
Thiago Mossini<br> Enviado Especial 
Maripá - Conhecida como a ''Cidade das Orquídeas'', devido à quantidade de plantas do gênero espalhadas pelo município, Maripá (84 km ao norte de Cascavel) tem a economia fincada no campo. É da terra que sai o sustento da grande maioria dos pouco mais de 5 mil habitantes. É de lá também que sai o dinheiro que circula na cidade. Porém, da terra surgiu também uma outra marca registrada de Maripá, que mistura espetáculo com esporte. É o Arracadão de Tratores.
Veículo usado diariamente na lida na lavoura, o trator ganhou status de estrela, foi primeiro às ruas e depois às pistas acelerar e transformou agricultores em pilotos de corrida. Hoje é o primeiro esporte em popularidade na região. A cidade, tem o único tratoródromo do País, numa área de 72 mil metros quadrados. A pista tem 400 metros de extensão, incluindo a área de desaceleração. Entre a largada e a chegada são 201 metros.
''A gente espera muito tempo para ver o arrancadão e é sempre assim, olha. Sempre cheio de gente, sempre essa festa, muita emoção e muita adrenalina'', ressaltou, empolgada, a estudante Manoela Blessoy Dias, de 19 anos, que saiu da vizinha Assis Chateaubriand. Ela esqueceu de dizer do festival de gente bonita e de olhos azuis, uma característica da região, entre os mais de dez mil expectadores, que disputam um lugar no barranco que serve de arquibancada.
A torcida entra no embalo e é um atrativo à parte da festa. São 19 equipes, a maioria de pessoas de Maripá mesmo, o que dá um caráter de disputa entre famílias e vizinhos na pista. Dois a dois, as máquinas emparelham-se lado a lado e vão para a briga, levando o público ao delírio, com a ajuda de um DJ e de um locutor entusiasmado.
O Arrancadão de Tratores em sua concepção inicial e artesanal começou na avenida central de Maripá em 1990, sem nenhuma tecnologia vista nos tratores atuais. Hoje, rompeu as divisas do estado e já está presente em São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, e a fronteira, chegando ao Paraguai. São três equipes ''brasiguaias'' na competição.
''Isso aqui está no sangue. É emocionante. Muita gente vem do Paraguai para assistir'', afirmou o curitibano Alexandre Poland, agrônomo de 35 anos, que mora em YruÀa, no Paraguai, cidade cujo pai do piloto é um dos fundadores. Ele é o principal brasiguaio da competição e era recordista de conquistas até a etapa do fim de semana, a última do ano. Ivan Schanoski conseguiu o tetracampeonato justamente em cima de Poland e igualou a marca. Ele ainda cravou o recorde da corrida, fazendo os 201 metros em 8s718.
A maioria dos pilotos é agricultor e usa o trator no dia-a-dia. No começo, a arrancada era realizada uma vez por ano. Próximo ao evento, os agricultores/pilotos davam um trato no trator, melhoravam sua potência para ganhar velocidade e iam para a avenida.


