Ciclista italiano afirma que 90% dos corredores se dopam
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domingo, 23 de novembro de 2003
Reportagem Local 
Um ciclista profissional italiano em atividade ''muito, muito, muito conhecido e que obteve importantes vitórias'' afirmou em entrevista a um canal de TV local que ''90% dos ciclistas se dopam''.
''No mundo do ciclismo, pelo menos 90% dos ciclistas se dopam. Eu me encontrei nas condições em que, se não faço uso do doping, não termino as corridas e não posso seguir adiante'', admitiu.
Para não ser reconhecido, o corredor aparece no programa de costas, com um manto com capuz e a voz manipulada.
''Me encontrei com jovens (corredores) que se sentiram mal pelo uso do doping, gente que estava mal durante a noite, que tinha problemas de respiração, dificuldades cardiovasculares e coisas similares. Também com pessoas que todas as noites antes do jantar deviam fazer injeções no abdômen, subcutâneas de EPO e de GH (hormônio do crescimento), porque de outra forma não conseguiriam correr no dia seguinte'', afirma.
Na entrevista, o anônimo corredor diz ainda que possivelmente a próxima temporada será sua última entre os melhores do esporte, e garante:
''Este ano três corredores morreram por problemas cardiovasculares, gente muito jovem. É muito estranho que se morra de infarto aos 23 ou aos 30 anos.''
Ao ser perguntado sobre as substâncias dopantes mais usadas pelos ciclistas, o atleta comenta:
''Os produtos são muitos. Da EPO ao GH, que são os mais conhecidos e que agora se usam menos, já que se forem tomados cinco dias antes de uma corrida, dão resultado positivo nos exames antidoping''.
As afirmações tiveram grande repercussão na Itália, como indica a rápida reação do Comitê Nacional Olímpico Italiano (Coni), que anunciou que em breve apresentará uma denúncia na Procuradoria de Roma por estas declarações.


