A expectativa em torno do desempenho do ciclismo brasileiro nos Jogos Olímpicos de Londres cresceu muito depois do país ter garantido sua participação com uma delegação recorde, formada por nove atletas. O número é quase 50% superior em relação à Olimpíada de Pequim, em 2008, quando o Brasil esteve representado por cinco ciclistas.
Por enquanto, estão confirmados Clemilda Fernandes, Janildes Fernandes e Fernanda da Silva (Estrada), Squel Saune Stein e Renato Rezende (BMX) e Rubens Donizete (Mountain Bike). Os três classificados na modalidade Estrada, no masculino, ainda não foram divulgados pela Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), mas pelos últimos resultados, o catarinense Murilo Fischer, o paranaense Rafael Andriato e o sul-matogrossense Magno Prado deverão ser os escolhidos.
Este crescimento da delegação para os Jogos de Londres é fruto de um projeto da CBC, que tem sede em Londrina. Integrante da comissão técnica da seleção brasileira, o treinador londrinense Émerson Silva atribui o sucesso ao ganho de experiência dos ciclistas brasileiros.
''Voltamos o foco do trabalho para participações nas mais importantes competições. Fomos ao Mundial, Copa do Mundo e às principais provas europeias e isso foi muito importante nesse processo'', avalia o treinador, responsável pelas modalidades de pista e estrada.
Silva conta que este recorde já era esperado pelos resultados que os ciclistas brasileiros vinham alcançando em competições dentro e fora do Brasil. ''Neste ciclo (olímpico), praticamente todos os recordes brasileiros foram quebrados e hoje o Brasil aparece entre os 20 melhores países do mundo em todas as modalidades'', contextualiza o técnico.
Em Londres, o Brasil só não terá representantes na pista, mas a CBC promete mudar este panorama para os Jogos do Rio, daqui a quatro anos. A entidade já iniciou um trabalho com a modalidade, pensando já no próximo ciclo olímpico. ''Esta reformulação que vem sendo feita trará resultados ainda melhores para os Jogos do Rio'', garante Silva. Uma das apostas para melhorar o desempenho na pista é a chegada de um técnico francês, que será contratado para trabalhar com provas de velocidade.
Ao todo, a CBC investiu cerca de R$ 3,8 milhões para garantir seus atletas nas Olimpíadas de Londres. Os recursos utilizados na preparação dos atletas de Mountain Bike e Estrada (feminino) foram da Lei Piva (R$ 2,4 milhões). Já o BMX e o ciclismo de pista utilizam verba oriunda de convênio com o Ministério do Esporte. O valor ainda é considerado pequeno se comparado ao que grandes potências europeias investem na modalidade.

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