Ciclismo cria passaporte antidoping para atletas
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quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Folhapress 
São Paulo - A União Ciclística Internacional (UCI) vai criar, para 2008, um ''passaporte biológico'' para tentar deter os escândalos de doping. Todos os atletas internacionais passarão por exames de sangue e urina. A responsável pelo antidoping da UCI, Anne Gripper, afirmou, em entrevista ao diário ''Le Monde'', que o documento ''permitirá estabelecer o perfil hematológico e de esteróides e vigiar de forma mais eficaz se um corredor recorreu a algum tipo de manipulação''.
Para Gripper, com os parâmetros dos exames iniciais, será mais fácil determinar se algum atleta está fazendo uso de drogas proibidas. Com o ''passaporte'', a UCI pretende diminuir o número de escândalos pelos quais o ciclismo passa.
Alguns dos maiores nomes da modalidade, entre os quais Iván Basso, vencedor do Giro da Itália-06, e Jan Ullrich, campeão da Volta da França-97, estiveram recentemente envolvidos em problemas com doping. Não bastasse isso, a Volta da França-06 pela primeira vez na história trocou o nome de seu vencedor por causa de doping. O norte-americano Floyd Landis, condenado, perdeu o troféu para o espanhol Oscar Pereiro.
Com o ''passaporte biológico'', a UCI também pretende ser mais rigorosa nos controles. Atualmente, um ciclista é afastado da competição quando seu nível de hematócrito no sangue acusa aumento superior a 50%. Com o documento, cada atleta terá fixada uma taxa máxima definida. O novo sistema também pretende acabar com o doping por autotransfusão, que hoje não é detectado.
Para ter o passaporte, cada ciclista terá que passar por pelo menos seis testes durante o ano. Mas a rigidez da UCI para ciclistas de ponta será maior. ''Vamos aumentar o número de controles em 2008 de forma significativa, sobretudo fora de competição, com o objetivo de recolher dez amostras sanguíneas e quatro de urina de cada ciclista'', comenta Gripper.
A Agência Mundial Antidoping (Wada) anunciou iniciativa semelhante em 2002. Mas a implantação segue lenta. Segundo Dick Pound, presidente da Wada, o ''passaporte do atleta'' deverá funcionar em 2010.


