O técnico Caio Júnior reservou a manhã e parte da tarde de ontem para uma tarefa prazerosa: curtir a repercussão do passeio do seu, até então desconhecido Cianorte sobre o milionário Corinthians. Leu os jornais, navegou pela Internet, ouviu rádio e assistiu, e muito, TV. Os 3 a 0 dos anôminos paranaenses sobre as estrelas internacionais foram prato cheio para os programas esportivos.
''Está tudo bem tranquilo. Nem saí de casa, só vou para o treino depois. Acompanhei a repercussão, que foi muito boa'', contou o treinador, que se diz vacinado contra a fama momentânea. ''É tudo passageiro. Estou acostumado, da época em que fui jogador. O importante é viver o momento, curti-lo''.
O telefone celular do treinador não parou de tocar. ''Até agora (15h30 de ontem) recebi umas 50 ligações, sem brincadeira'', espantou-se o treinador. Jornalistas do Brasil inteiro, que já conheciam o jogador Caio Júnior, queriam saber quem era o técnico que ofuscou o estreante Daniel Passarella.
Com salários mensais de cerca de US$ 100 mil (quase R$ 270 mil), o técnico argentino caiu na armadilha do colega bem menos rico, que tem vencimentos aproximados de R$ 5 mil mensais. Mas não eram apenas profissionais de imprensa que requisitavam uns minutinhos ao telefone com o treinador. ''Amigos com quem não convivo há muito tempo me ligaram para dar os parabéns. Chego a ficar emocionado'', confessou Caio.
O gol de cabeça do zagueiro Édson Santos, após falha de Fábio Costa, e os dois de Márcio Machado, faz o time começar a pensar grande. Quem sabe, seguir os passos de Brasiliense, 15 de Campo Bom e Santo André, que ganharam projeção com boas campanhas na Copa do Brasil. ''Se conseguirmos passar pelo Corinthians, temos que começar a acreditar. A Copa do Brasil serve justamente para dar oportunidade para times pequenos chegarem'', comentou Caio Júnior.
O plano para a partida de volta, dia 6 de abril, no Pacaembu, já começa a ser traçado. ''Temos que fazer um gol lá (em São Paulo)'', projetou o técnico. Ele não teme prejuízos com a arbitragem, muito menos favorecimento de alguma forma ao Corithians. ''A TV está aí para mostrar tudo'', disse.
Depois de uma passagem decepcionante e conturbada pelo comando do Londrina, Caio Júnior retornou a Cianorte com a responsabilidade de tornar o time reconhecido. A vitória de quarta-feira ainda não lhe rendeu nenhum convite. ''São coisas que acontecem naturalmente. Minha grande motivação para voltar ao Cianorte foi a Copa do Brasil. Foi uma aposta que eu fiz'', revelou o treinador.
Famosos Antes da partida as atenções no Estádio Willie Davis estavam voltadas para os galácticos do Corinthians. Câmeras, microfones e os bloquinhos de autógrafos tinham como endereço os badalados corintianos. Ao final do jogo, o foco mudou de lado e os jogadores do Cianorte roubaram a cena. O principal deles era o atacante Márcio Machado, salário de R$ 3 mil por mês, que fez um gol de sorte e um de craque, com uma bela bicicleta. ''Foi fantástico'', resumiu, emocionado, o atacante que ofuscou Carlitos Tevez, o homem de US$ 22 milhões.
Humildade O jogo mal havia acabado e o convite foi feito pelo prefeito de Cianorte, Edno Guimarães (PMDB), à diretoria do clube que leva o nome da cidade: a prefeitura iria dar um jantar e organizar uma carreata com direito a carro de bombeiros para homenagear os heróis que deram um chocolate de presente antecipado de Páscoa ao ''todo poderoso Timão'', como a torcida corintiana costuma gritar nos jogos do time.
Mas a direção do clube vetou. ''A gente não ganhou nada ainda. Já mudamos o foco. Estamos pensando exclusivamente no jogo de domingo contra o Engenheiro Beltrão e precisamos ganhar. Temos que conter a euforia e manter a humildade'', justificou o diretor de futebol Luiz Carlos Bersani. (T.M.)

EM MARINGÁ

Cianorte 3

Adir; Diego, Édson Santos e Fábio Carioca; Daniel Marques, Cuca, Rocha, Robert (Danilo) e Maurício; Márcio (Djames) e Binho (Valdiran). Técnico: Caio Júnior

Corinthians 0

Fábio Costa; Coelho, Anderson, Sebá e Edson; Wendel (Bobô), Fabrício, Roger (Gustavo Nery) e Carlos Alberto; Gil e Tevez. Técnico: Daniel Passarella

Árbitro: Elvécio Zequetto (MS)
Estádio: Willie Davids
Público:19,5 mil
Renda: R$ 380 mil
Expulsão: Anderson
Gols: Édson Santos aos 9, Márcio aos 11 e aos 37 do 1º tempo

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