O Londrina não enfrentou apenas o Coritiba no último sábado (10), pela 2ª rodada do Campeonato Paranaense. Antes mesmo de a bola rolar, a forte chuva que atingiu Curitiba já havia imposto ao Tubarão um obstáculo tão duro quanto o próprio adversário. O gramado encharcado do Couto Pereira alterou o ritmo da partida, limitou a proposta técnica da equipe alviceleste e exigiu adaptações em todos os setores. Para o técnico Allan Aal, o empate por 2 a 2, obtido com muita resistência, duas expulsões e falhas decisivas, acabou sendo positivo diante do cenário adverso encontrado na capital paranaense.

“O estado do campo atrapalhou bastante o trabalho das duas equipes, principalmente o nosso, que é muito técnico. Um momento do jogo decidiu a partida toda”, afirmou Aal. “No nosso melhor momento, quando estávamos à frente e controlando, cometemos erros que custaram muito caro.”

A referência do treinador diz respeito ao lance que mudou o rumo da partida. Aos 42 minutos da primeira etapa, quando o Londrina vencia por 1 a 0 e dominava as ações, Maurício recuou para o goleiro Kozlinski. A bola parou em uma poça, Azaf recuperou com liberdade, driblou o goleiro e finalizou. Wallace, quase sobre a linha, colocou a mão na bola para evitar o gol e acabou expulso. Na cobrança de pênalti, o próprio Azaf converteu, empatou o duelo e provocou uma guinada em um confronto que parecia sob controle do Tubarão.

“Maurício é identificado com o clube. Erros acontecem”, ponderou Allan. “O gramado prejudicou o recuo, e num campo molhado esse tipo de lance se torna muito arriscado. Mas, mais que o erro individual, o que chamei atenção no intervalo foi o momento: poderíamos ter feito 2 ou 3 a 0. Criamos, respeitando o Coritiba, mas cadenciamos demais quando deveríamos definir. No futebol, quando você está melhor, precisa matar o jogo.”

Além do terreno instável, o Londrina precisou lidar com mudanças forçadas. Em relação à vitória por 2 a 0 sobre o Operário, na estreia, Allan Aal teve de mexer na lateral esquerda: Rafael Monteiro relatou dores na panturrilha e foi preservado, abrindo espaço para Kevyn. O substituto, além de elogiado pela atuação, tornou-se personagem do empate ao marcar o gol salvador aos 41 minutos do segundo tempo, completando cruzamento de Paulinho Moccelin e assistência de Crysthyan.

“Não podíamos correr o risco de perder o jogador por mais tempo. O Kevyn tem mais força física, e era o que o jogo pedia. Fez uma boa estreia mesmo não estando 100%”, avaliou o técnico.

Mas as dificuldades não pararam por aí. Allan voltou a criticar o impacto da chuva, reforçando que as condições climáticas foram determinantes para o rumo da partida. Segundo ele, a análise de desempenho precisa levar em conta o contexto de um gramado pesado, que muitas vezes impediu a sequência de jogadas.

“A chuva e o campo pesado mudam completamente a partida”, explicou. “Contra o Operário o jogo foi técnico, em campo seco, 11 contra 11. Aqui, houve momentos em que não havia jogo. A bola parava, os lances se tornavam imprevisíveis. Não temos característica de bola longa. A expulsão e as circunstâncias mudam todo o planejamento.”

Após a saída de Wallace, o treinador tomou uma decisão que gerou debate entre torcedores: substituiu o centroavante Bruno Santos, uma das principais contratações da temporada, para colocar o zagueiro Gabriel Lacerda e recompor a defesa. Com isso, João Tavares passou a atuar improvisado como referência ofensiva.

“O Bruno, com o campo pesado, teria muita dificuldade. Ele não é de força física, não tem a característica de rompedor. É técnico, bom finalizador, bom passador. Mantive o João porque, com um a menos, o Coritiba viria para cima, e precisávamos igualar numericamente o meio-campo sem a bola”, justificou.

O Londrina ainda terminaria o jogo com nove jogadores após a expulsão de André Cardoso já nos minutos finais, o que torna o empate ainda mais significativo sob a leitura do treinador.

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