A chuva que caiu sem trégua ontem durante toda a tarde atrapalhou um pouco a festa do torcedor santista em Londrina. Os próprios bares estavam quase vazios, um sinal de que a maioria preferiu acompanhar a decisão em casa. Depois, ao final do jogo, a chuva era tanta que a Avenida Higienópolis, tradicional ponto de comemorações da cidade, estava deserta e demorou para receber os primeiros santistas festejando o título.
  Antes de chegarem os ‘‘alvinegros praianos’’, quem apareceu na avenida foram cinco são-paulinos portando uma grande bandeira tricolor e gritando ‘‘Tricampeão! (mundial)’’ ‘‘Viemos aqui festejar porque o São Paulo é o melhor do mundo e porque somos melhores que o Santos. Já provamos isso domingo passado’’, provocou João Paulo Góes, 17 anos. Mais animado ainda, Lucas Bulgacov, 17, balançava sua bandeira e desafiava os rivais: ‘‘Não estou vendo nenhum santista aqui. Eles não são de nada e ainda por cima têm medo de chuva. Nós somos tri. Isso é o que vale’’, disse.
  Mas logo foram chegando os santistas e aos poucos foram tomando conta do pedaço e não se cansaram de pular e cantar debaixo da chuva. O torcedor do peixe, Wesley Gotardo, 24, confessou que preferia o título com uma decisão, ‘‘uma final’’, mas se disse satisfeito mesmo assim. ‘‘Fizemos o que precisava, ganhamos nossos jogos em casa e com um time bem simples fomos campeões’’, comemorou.
  Wellington Percinatto, 20, e Rodolpho dos Santos, 18, enalteceram o técnico Vanderlei Luxemburgo. ‘‘Ele soube montar um time com um monte de jogadores desconhecidos e calamos a boca de todo mundo’’, gritou Percinatto. ‘‘Merecemos o título e o São Paulo é vice. Pode chorar à vontade’’, disse Santos, devolvendo a provocação aos tricolores.
  Aliás, o clima de ironias e brincadeiras entre santistas e tricolores foi a tônica durante todo o jogo. Ao final do primeiro tempo a maioria alvinegra em um bar da cidade já não conseguia se conter de tanta confiança e provocava sem parar os rivais, que tiveram que se contentar com o segundo lugar. (Jaime Kaster)

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