São Paulo - Difícil encontrar entre milhares de grandes jogadores brasileiros pelo menos dez que assimilaram bem a aposentadoria. Parar com a bola, sair da mídia, trocar a celebridade pelo anonimato e, pior, ficar sem o poupudo salário mensal, tudo isso pesa na hora de pendurar as chuteiras. Romário, Edmundo, Djalminha, Zinho, Valdo, Júnior Baiano são os veteranos na berlinda. Já dobraram a casa dos 30 anos e encostam no degrau dos 40, mas não desistiram do futebol.
Vivem o dilema das pernas não obedecerem o cérebro. Mais ou menos como contou Zizinho, um dos gênios nos anos 40 e 50. ''Você dribla o menino e quando vê ele está de novo na tua frente. Dribla de novo, e ele continua na tua frente. É hora de parar'', disse o craque, que começou a carreira em 1939 no Flamengo, jogou no Bangu, São Paulo e encerrou a carreira no Audax Italiano, do Chile, em 1962. Zizinho faleceu em fevereiro de 2002.
Romário completa 39 anos dia 29 de janeiro. Está sem clube depois de ser despedido pelo Fluminense, em outubro. ''Estou desempregado até o final do ano'', disse o atacante, logo após o jogo do adeus à seleção brasileira, dia 12 de novembro, em Los Angeles. Ele reuniu a turma do tetra de 1994, a maioria de aposentados, barrigudos, carecas e alguns grisalhos. Viu de perto o seu fim no gramado.
A sobrevida vem de uma negociação com o Vasco para retornar onde tudo começou. O dilema nem é o contrato. Passa pela cabeça de Romário como será o seu futuro sem os holofotes. Dinheiro, por enquanto, não parece problema. O jogador tem boa reserva no cofre com milhares de dólares que abocanhou jogando sete anos na Europa. Romário não se imagina sem o futebol.
O Baixinho ainda não parou de jogar porque tem despesas demais com ex-mulheres. Paga pensão para duas. Só para a primeira, Mônica Santoro, deve R$ 20 mil. A dívida já chegou a R$ 85 mil. A modelo Edna Velho também cobra pensão do filho Raphael, que alega ser do craque.
Casagrande, aposentado do futebol desde 96, contou uma vez como é difícil parar com tudo. ''Quando se está na ativa, o jogador tem três carros, apartamento caro, condomínio alto, três empregadas. Sai todas as noites. Despesas pesadas. Nem liga, paga tudo. Depois, sem o salário mensal, 'bichos' dos jogos, você só vê o dinheiro saindo e não entrando mais. Começa a se desfazer de tudo. A vida muda. É um baque ...''
Casagrande não enfrentou esse problema porque jogou na Europa e fez um bom pé de meia. Hoje é comentarista da Rede Globo.

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