Agência Estado
Ainda no grid de largada, antes de vestir as luvas, colocar o capacete e entrar no cockpit do Swift-Ford, Christian Fittipaldi comentou com o amigo Fernando Paiva: ‘‘Se eu ganhar, juro que volto de porre no avião.’’ Christian sabia que o carro estava excelente e aquele poderia ser o dia da primeira vitória na Indy. O GP da Austrália, porém, acabou três minutos depois, na segunda volta, ao receber uma batida por trás do compatriota Gil de Ferran. Christian fraturou a tíbia direita em três pedaços, o perônio e, operado à noite (ontem de manhã no Brasil), espera estar de volta às pistas em três meses.
A cirurgia, supervisionada pelo diretor médico da Cart, Stephen Olvey, durou 2h40 e foi bem-sucedida. Christian teve implantado na tíbia um pino de aço parafusado em cinco pontos - dois um pouco abaixo do joelho, um no meio do osso e dois acima do tornozelo - para reparar os quatro pontos de fratura. Olvey disse que o período de recuperação poderia demorar de dois a quatro meses, mas está otimista no caso de Christian.
Desde a batida na pista à remoção de ambulância ao Gold Coast Hospital e à entrada na mesa de operação, Christian permaneceu consciente. Para aliviar a dor, os médicos lhe deram sedativos que o deixaram grogue. Ainda assim, o piloto manteve o bom-humor. ‘‘Estou mal: não tem nenhuma enfermeira bonita para me carregar’’, comentou.
Durante os dez minutos que a equipe de resgate da Cart demorou para retirá-lo das ferragens do Swift, Christian sofreu um drama. A batida foi frontal, a cerca de 280 km/h e o piloto recebeu todo o impacto nas pernas e nos pés. Depois de seguir descontrolado no retão e bater a primeira vez no muro externo, o carro rodou, voltou à pista já sem bico e bateu no muro interno. Em seguida, saiu na grama, decolou cerca de 1 metro e bateu de novo na parede. ‘‘Senti uma dor insuportável’’, narrou Christian. Christian olhou para dentro do cockpit e teve uma sensação horrível: ‘‘Vi meu pé preso e achei que ele tinha descolado da perna’’, contou. ‘‘Sentia dor na perna esquerda, mas sabia que ela estava ok; meu problema era não sentir o outro pé.’’ Só depois que os médicos lhe colocaram uma máscara de oxigênio e começaram a desprendê-lo das ferragens, Christian se tranquilizou. Mas àquela altura a dor era muito intensa.
Levado para a ambulância, Christian se apressou em pedir para que o empresário Fernando Paiva e a assessora de imprensa de Émerson, Kika Concheso, acalmassem os pais no Brasil e a irmã em Miami. ‘‘Estou com dor, mas estou bem’’, disse. ‘‘Graças a Deus nenhum dos ligamentos foi afetado, nem a coluna.’’ Christian já sofreu sério acidente na Fórmula 1, em 1992, na Minardi, em Magny Cours, quando fraturou uma vértebra. Ficou quatro corridas afastado.

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