Christian só volta a pilotar em julho
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segunda-feira, 07 de abril de 1997
José Emílio Aguiar Agência Estado 
Paulo Vitali/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Tudo bemNa cama do Hospital Gold Coast, o piloto brasileiro faz sinal de positivo, depois da cirurgia Christian Fittipaldi só espera voltar às pistas no GP de Toronto, 11ª etapa da temporada de Fórmula Indy, dia 20 de julho. A recuperação da fratura tripla na tíbia e perônio demorará de três a quatro meses, segundo previsão dos médicos David Zavattaro e Nick Bonfilio, que o operaram. Christian deverá deixar o Hospital Gold Coast, em Surfers Paradise, quinta-feira e iniciar a fisioterapia em duas semanas. Mas só poderá caminhar no prazo de seis semanas.
O piloto ficará de fora de pelo menos oito etapas da temporada, incluindo a próxima, domingo, em Long Beach, e o GP do Brasil, no Rio, em 11 de maio. Vai ser estranho assistir à corrida de Long Beach pela TV, confessou Christian, enquanto fazia um lanche em seu quarto no hospital.
Ainda sob efeito de morfina, para aliviar a dor das fraturas, Christian alterna momentos de grande bom humor e euforia com instantes de sonolência. Está um pouco abatido, mas com ótima disposição para quem, no domingo, escapou de um acidente a 280 km/h na pista de rua de Surfers Paradise.
O Swift mostrou que é um carro muito seguro, disse ele, que não tem nenhum arranhão na parte de cima do corpo. A perna direita fraturada - na qual os médicos fixaram um pino de 36 centímetros de comprimento por 1,1 centímetro de largura, preso por cinco parafusos na parte de trás da tíbia - está inchada, assim como o pé esquerdo, protegido por uma bota de nylon. Uma cicatriz de cinco centímetros, um pouco abaixo do joelho, indica o local da cirurgia, que durou 2h40 - o dobro do que os médicos esperavam, em razão da necessidade de retirar fragmentos do osso. Mas as lesões são pequenas se for considerada a gravidade do acidente.
No local da pista onde Christian bateu, o muro recuou 40 centímetros. A pancada foi tão violenta que moveu o bloco de concreto para trás, apesar de este estar preso por três anéis de ferro e uma viga de aço a outros 50 blocos na mesma reta. Foi a maior batida que já dei, afirmou Christian.
Christian lembra de detalhes do acidente. Disse não ter visto Gil de Ferran no retrovisor e fez a tomada normal da curva, levando o carro para a esquerda. Foi quando recebeu a batida por trás. O carro seguiu reto, bateu de frente no muro do boxe e no muro no fim da reta, atravessou a pista e decolou numa zebra antes de mais um choque frontal. Foi esta batida que me ferrou, disse. No último choque, o carro já não tinha o bico: suas pernas bateram direto no muro. Não tive tempo de recolhê-las nem de tirar as mãos do volante, porque tudo aconteceu muito rápido, contou. Quando perdi o controle, sabia que seria uma pancada das grandes, revelou.
Para Christian, o acidente de dentro do carro foi ainda mais impressionante do que a batida a 260 km/h no oval de Jacarepaguá, ano passsado, e o choque a 170 km/h que provocou a fratura da quarta e quinta vértebras em Magny Cours, na F-1, em 92.
No Rio, Christian chegou a desmaiar por instantes. Na Austrália, manteve-se alerta, apesar da dor.
Christian quer ter uma recuperação completa e cuidadosa. Vou fazer tudo direitinho, sem pressa, prometeu. Quero testar bastante antes de ir para as corridas. Ele fará o trabalho de fisioterapia no Brasil.


