São Paulo, 12 (AE) - Rubinho Barrichello deixou um recado na secretária eletrônica de Christian Fittipaldi, hoje, cumprimentando-o pela vitória de domingo, em Elkhart Lake. Foi a primeira vez que o sobrinho de Émerson e filho de Wilsinho ganhou uma corrida de Indy. Mais tarde, Rubinho tentou ligar, outra vez, e Christian atendeu: "Ele me disse que agora é a vez dele ganhar a primeira corrida. Nós temos uma longa história juntos e eu sei o que ele lutou para chegar onde está", disse hoje, em Miami, Christian Fittipaldi.
Os dois pilotos aproveitaram a longa conversa no telefone e trocaram informações sobre os motores Ford. Christian corre na Indy com um Swift-Ford e Rubinho, com Stewart-Ford.
"No ano que vem, a Ford vai introduzir nos motores da Indy as mesmas inovações que estreou este ano na Fórmula 1. E o Rubinho me confirmou que foram positivas. Em agosto, eu começarei a testar este novo motor. Mas ele só será utilizado no ano que vem".
Christian, solteiro há um ano, comemorou com toda a equipe a vitória, permanecendo no circuito até nove horas da noite, no domingo. "Nossa sede fica em Chicago. Tinha muita gente no autódromo que tem alguma ligação com a equipe ou com os patrocinadores, a Texaco e a empresa KMart. Ficamos bebendo e celebrando", contou.
O piloto disse que a vitória veio na hora certa. "Quando eu sai do hotel, no domingo, pensei que precisava terminar entre os três primeiros para continuar com chances de lutar pelo título. O resultado foi melhor do que eu esperava. Além de ganhar a corrida, os pilotos que estavam na minha frente não marcaram pontos, com exceção do Michael Andretti. Nossa situação, agora, é mais favorável", comentou.
Christian tem grande apreço por Paul Newman e Carl Haas, e isso pesará quando tiver que decidir entre permanecer na equipe ou mudar de escuderia. "Quando eu quebrei a perna na Austrália, no ano passado, eles deixaram que eu me recuperasse. Se fosse na Fórmula 1, não sei se isso aconteceria".
Uma das vantagens de Christian é se dar bem com Michael Andretti, piloto de temperamento difícil. Michael é respeitado como o maior vencedor da história da Indy. "Nós somos a segunda geração de duas famílias que estão envolvidas há mais tempo com o automobilismo. Meu pai e o Émerson sempre se deram bem com o Mario Andretti. Isso pode explicar as coisas". Christian diz que não se considera amigo pessoal de Michael. "Mas nós temos um grande respeito profissional e trocamos as informações necessárias. Isso é o suficiente para o bom funcionamento da equipe".
Michael e Christian também têm em comum uma passagem mal sucedida pela Fórmula 1. Christian comenta: "Nós não fomos bem na F-1 por motivos diferentes. Mas já deixamos isso para trás. O Michael só quer aumentar seus recordes nesses próximos dois ou três anos que ele ainda tem de carreira. Eu ainda cho que tenho muita coisa pela frente".
Durante à tarde, hoje, Christian só recebeu cumprimentos pela vitória. Muitos vieram de amigos no Brasil. "Gente que não falava comigo há um bom tempo ligou para me dar os parabéns. Fiquei muito satisfeito".
Quarta-feira, o piloto estará seguindo para Toronto, onde volta a correr no domingo. "Se quiser lutar pelo título, tenho que terminar entre os quatro ou cinco primeiros todas as corridas daqui para a frente. Vou trabalhar para isso".

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