China registra problema na venda de ingressos
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sexta-feira, 25 de julho de 2008
Folhapress 
São Paulo - Praticamente tudo que o governo chinês passou meses tentando amenizar (ou esconder) aconteceu ontem durante a venda da última carga de ingressos para a Olimpíada. Caótico, o processo culminou com desrespeito a filas, violência policial e cerceamento ao trabalho da imprensa.
Pelo menos 50 mil pessoas se aglomeraram no entorno do Estádio Nacional, o Ninho de Pássaro, em busca das 250 mil entradas remanescentes vendidas ali (outras 570 mil estão à venda em diversas sedes olímpicas). Algumas chegaram a dormir dois dias na quilométrica fila em busca de um lugar.
Quando os guichês se abriram, o hábito chinês de ignorar filas e se acotovelar transformou os arredores do estádio no palco de um conflito que poderia ser ainda mais grave. A polícia teve de intervir para conter a multidão, que se espremeu contra grades de ferro na ânsia de chegar logo às bilheterias. Houve feridos, mas nenhum com gravidade.
Somado a isso, a repressão policial - que tirou da fila várias pessoas à força - revoltou os pequineses. ''A polícia não tinha nem idéia de quanta gente viria aqui comprar ingressos, foi uma desorganização total'', declarou um funcionário de uma empresa postal.
Durante a confusão, um fotógrafo do jornal ''Morning Post'', de Hong Kong, foi detido e levado a uma delegacia sob a alegação de que invadiu uma ''área de segurança'' enquanto registrava cenas do conflito.
A situação fez com que os policiais fossem xingados, ao que responderam com agressões e mais empurra-empurra. Tudo sob sol forte e cerca de 30ºC.


