China, o novo eldorado da Fórmula 1
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terça-feira, 21 de setembro de 2004
Folhapress 
Xangai - Para as montadoras, um eldorado. Para as fabricantes de cigarro, um respiro. Para Xangai, um golpe em Pequim. Para a F-1, o circuito mais moderno do mundo. Para todos, as certezas de que o GP da China era necessário e é definitivo. De que veio para ficar.
Após mais de dez anos de flerte, o país recebeu ontem os carros da categoria. Os de verdade. Porque dezenas de protótipos estão espalhados há seis meses pelas principais avenidas e shoppings de Xangai para promover a corrida.
Obra desses carros-manequins ou não, o fato é que a promoção funcionou. Também ontem, os organizadores anunciaram que todos os 150 mil ingressos foram vendidos, o que já faz do GP da China o mais bem-sucedido entre os últimos que estrearam na F-1 Bahrein, EUA e Malásia nunca tiveram as entradas esgotadas.
É a cereja do bolo para um evento que vem sendo tratado de forma especial por toda a categoria. Na China, é como se Michael Schumacher ainda não tivesse sido campeão. A ponto de Norbert Haug, diretor da Mercedes-Benz, classificar a corrida como ''provavelmente a mais importante da história do esporte a motor''.
Haug, assim como seus colegas de Honda, BMW, Renault, Ford, Fiat e Toyota, está de olho no mercado chinês. Por Xangai, outdoors com os carros das principais equipes disputam espaço, como que em clima de eleição. E, de certa forma, é. A marca, ou a máquina, que cair no gosto do consumidor poderá pagar várias vezes os gastos com a F-1. A vitória no domingo ajudaria muito.
A um custo de US$ 300 milhões, Xangai ergueu uma obra de arte: seu autódromo superou o da Malásia e já é considerado o mais bonito e moderno do planeta.
O circuito foi projetado pelo arquiteto alemão Hermann Tilke, o mesmo que desenhou Sepang (Malásia) e Sakhir (Bahrein) e que remodelou Zeltweg (Áustria), Hockenheim e Nurburgring (Alemanha). Sua grife é meio caminho para conseguir o aval da FIA.
Desde meados da década passada, a China tentava receber a F-1. O país chegou a integrar o pré-calendário para 1998, com o circuito do Zhuhai, mas perdeu a chance porque a pista não se enquadrava nos padrões da categoria.
Xangai não quis passar pelo mesmo vexame. E gastou para isso. A cidade está pagando US$ 20 milhões a Bernie Ecclestone pelo direito de receber a corrida.
''O traçado é incrível. Tem curvas de todos os tipos, longas retas e alguns hairpins que devem propiciar ultrapassagens'', disse Kimi Raikkonen, da McLaren. ''Só saberemos ao certo na sexta-feira.''
Até o início dos treinos, à 0h (de Brasília) de sexta, porém, Raikkonen e seus 19 colegas estarão com as agendas lotadas de atividades promocionais. E é só o começo dessa nova corrida do ouro.


