Pequim - A celebração do glorioso passado da China e do atual renascimento do país, depois de dois séculos de turbulência, serão os elementos centrais do espetáculo de abertura da Olimpíada de Pequim, que promete ser o mais impactante da história dos Jogos. A partir das 20 horas des hoje na China - 9 horas em Brasília -, 15 mil dançarinos vão cumprir a tarefa de condensar 5 mil anos de história no espaço de uma hora. Artes marciais, fogos de artifício, acrobacia, malabarismo e todos os símbolos associados à China estarão no centro do Ninho do Pássaro, o estádio onde acontecerão os principais eventos da Olimpíada de Pequim.
A direção do espetáculo ficou a cargo do cineasta Zhang Yimou, considerado o melhor entre os chineses nos anos 90, quando dirigiu filmes como ''Lanternas Vermelhas'', ''Nenhum a Menos'', ''Viver'' e ''A História de Qiu Ju'', alguns deles proibidos até hoje em seu país.
O show de abertura terá uma primeira parte - chamada de ''Civilização Esplêndida'' - dedicada à longa história chinesa, e outra que destacará a recente emergência do país como uma potência mundial, batizada de ''Tempos Magníficos''.
Tão importante quanto o que aparecerá diante de 4 bilhões de pessoas em telas de TV de todo o mundo é o que ficará de fora, refletindo os momentos históricos que o Partido Comunista gostaria de esquecer. Inventados pela China, os fogos de artifício não serão usados apenas para marcar o fim do espetáculo e terão papel crucial na narrativa que será apresentada.
Considerado um dos mais importantes artistas plásticos contemporâneos em todo o mundo, o chinês Cai Guoqian dedicou os últimos três anos à concepção dos fogos. Segundo ele, as explosões que ocuparão o céu de Pequim hoje vão mostrar imagens que ajudar a contar as histórias que os dançarinos estarão apresentando no Ninho do Pássaro.
O espetáculo deverá ressaltar os momentos do passado em que a China se integrou ao restante do mundo, em contraposição à imagem de isolamento que costuma ser associada ao país. O mais potente desses símbolos é a Rota da Seda, a via comercial de 8 mil quilômetros de extensão que ligava a antiga capital imperial da China, Xian, ao Mediterrâneo. Por meio dela, Marco Polo chegou ao Império do Meio durante a dinastia Yuan (1271-1368), fundada pelos invasores mongóis descendentes de Gengis Khan. Na mão contrária, a seda e a porcelana chinesa foram levadas até a Europa.
Desprezado durante séculos pela história oficial chinesa, o navegador Zheng He (1371-1433) foi resgatado nesta década para promover o suposto caráter não-hegemônico da China emergente. Entre 1405 e 1433, Zheng He realizou sete expedições a países da Ásia, Oriente Médio e África, sem adotar o modelo de colonização que marcaria as navegações portuguesas e espanholas quase um século mais tarde.
O grande mistério é saber como a Pira Olímpica será acesa. Milhares de internautas chineses apostam que a tarefa não caberá a uma pessoa real, mas sim a um dos símbolos venerados ao longo da história chinesa, em especial o dragão ou a fênix. Outra incógnita, que nem mesmo o Partido Comunista controla, é saber se choverá ou não em Pequim na noite desta sexta-feira. Em poucas horas, saberemos a resposta.

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