Parecia até comemoração de título de Copa do Mundo. Após a vitória da seleção local sobre o Brasil por 3 a 0, na noite de terça-feira, milhares de chilenos invadiram a Plaza Itália, localizada no centro de Santiago, para fazer uma grande festa. Abastecidos por cerveja e vinho, os torcedores extrapolaram e chegaram a dar trabalho para a polícia. As autoridades, que esperavam uma derrota e consequentes manifestações contra o ex-presidente Augusto Pinochet e contra a seleção, acabaram tendo de se preocupar apenas em conter o excesso de euforia.
Os bares e restaurantes, que costumam fechar suas portas cedo, ficaram abertos durante a noite toda e receberam lotação máxima. As televisões permaneciam ligadas nas casas noturnas e os chilenos não se cansavam de rever os gols de Estay, Zamorano e Salas. Antes do jogo, no entanto, a festa era tímida; afinal, poucos acreditavam numa vitória. O jornal ‘‘El Mercurio’’, o principal do país, destacou, em sua edição de terça-feira, o jogo entre Chile e Brasil como um ‘‘confronto desigual’’. O texto mostrava a falta de confiança dos chilenos: ‘‘Já se sabe que é extremamente difícil, porque a presença do Brasil sempre provoca resultados ruins para o Chile, mas a ilusão tem de estar presente.’’
As publicações de ontem, no entanto, retratavam a surpresa que causou entre os chilenos a vitória da equipe local por 3 a 0 sobre os brasileiros. O ‘‘El Mercurio’’ citou o triunfo do Chile como histórico e foi mais longe: ‘‘Nem em sonhos poderíamos acreditar no que aconteceu.’’ E ressaltou ainda a fraca atuação do time de Wanderley Luxemburgo. ‘‘Foi uma noite para os brasileiros esquecerem.’’
O técnico chileno, Nelson Acosta, disse que a vitória foi um prêmio para a equipe. ‘‘Jogamos um grande primeiro tempo e depois soubemos controlar bem a pressão do Brasil na segunda etapa para vencermos a partida.’’

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