São Paulo - A Copa América começa hoje com um tremendo ponto de interrogação: jogadores extraordinários como Messi, Neymar, Cavani e Vidal vão ofuscar o escândalo da Fifa que colocou a Conmebol, entidade que organiza o torneio, como um dos centros do esquema de mundial corrupção que envolve dirigentes e empresários de marketing esportivo? Esse é o pano de fundo do jogo de estreia, entre Chile e Equador, no Estádio Nacional de Santiago, às 20h30 (de Brasília), e provavelmente das outras 25 partidas até o dia 4 de julho. É o embate entre a beleza do futebol e a crise judicial fora das quatro linhas.
Embora diversos jogadores tenham repetido, com algumas variações, a frase de Diego Armando Maradona - "a bola não se mancha" -, o desafio parece grandioso demais. "Nossa Copa América se vê manchada por eventos alheios ao futebol. É lamentável", disse Sergio Jadue, presidente da Associação Chilena de Futebol e vice da Conmebol. "Mas o futebol pode nos dar muitas alegrias dentro de campo", disse o dirigente à reportagem.
A expectativa é de que o torneio de seleções mais antigo do mundo seja uma espécie de trégua futebolística para o maior escândalo de corrupção da história do futebol mundial, que envolve suborno, pagamento de propina, lavagem de dinheiro, entre outros crimes.
Dirigentes e empresários de marketing esportivo sul-americanos são investigados pelas autoridades norte-americanas, entre eles, o ex-presidente da CBF José Maria Marin, preso na Suíça, e o ex-presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), Nicolás Leoz, que está em prisão domiciliar no Paraguai. Os valores relativos aos direitos de transmissão das competições em vigência (Copa América, Copa de Ouro, Liga dos Campeões da Concacaf e Copa do Brasil) serão destinados às autoridades americanas.
As investigações de corrupção na Fifa podem cancelar a edição especial da Copa América 2016, em homenagem ao centenário da competição, justamente nos Estados Unidos.
"Hoje o presidente de uma das confederações está detido, as empresas detentoras de direitos têm seus fundos bloqueados. Ninguém seriamente pode dizer que as coisas no futuro vão ser como estão previstas", disse Luis Meiszner, secretário-geral da Conmebol, no início do mês.

IMPACTO
Dentro de campo, a Copa América promete. O torneio reúne cinco das 16 melhores equipes do último Mundial. Todas as seleções têm motivações particulares para transformar o torneio em uma espécie de redenção.
Para o Brasil, será a primeira competição oficial após o vexame da Copa do Mundo. Dunga reconhece a pressão e faz uma comparação com seu primeiro título como treinador, exatamente na Copa América. "Não entendo. Em 2007, quando ganhamos a Copa América não era tão importante assim, agora parece que tem o mesmo valor da Copa do Mundo", reclamou Dunga.
O Chile, anfitrião que nunca venceu o torneio, também está faminto. As emissoras chilenas se recordam do chute na trave do atacante Mauricio Pinilla que impediu sua seleção de eliminar o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo no ano passado. A Copa América é, portanto, uma segunda oportunidade. Uma pesquisa do Centro de Estudos da Universidade San Sebastián mostrou que 61% acreditam que a seleção chilena pode chegar à final. A Colômbia também não engoliu a eliminação para o Brasil nas quartas de final e agora tem Falcao García, fora da Copa por contusão.
Para o volante argentino Lucas Biglia, vencer a Copa América pode amenizar a frustração de um ano atrás, quando a equipe perdeu a final da Copa do Mundo no Brasil para a Alemanha, no Maracanã. "A Copa América é muito importante. Não vai fechar a ferida (da Copa do Mundo), mas vai nos dar outra oportunidade", disse Bigllia ao site da Associação de Futebol Argentino (AFA).

Imagem ilustrativa da imagem Chile e Equador abrem Copa América
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