O Londrina cansou de apanhar. Em 2002 pretende mudar sua imagem e brigar dentro e fora de campo para estar entre os melhores do país. É esta nova postura que o presidente eleito do Londrina, o advogado Osvaldo Sestário Filho, quer apresentar para a torcida. Ele quer que os torcedores, mais do que apoiar, tenham orgulho do Tubarão.
Casado e pai de dois filhos, Sestário que tem apenas 35 anos, é o mais novo presidente da história do clube. Ele garante que vai usar sua vitalidade para fazer do Tubarão um time mais valente e guerreiro.
O desafio inicial do advogado que chegou ao alviceleste em dezembro de 1996, no departamento jurídico, é fazer com que o Londrina consiga uma vaga na Copa Sul-Minas, com início previsto para 19 de janeiro. Por enquanto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirma a vaga para o Malutrom, mas o Tubarão assegura que vai ''brigar até o fim''.
Abaixo, seguem os principais trechos da entrevista exclusiva que ele concedeu à Folha.



FL - Porque o senhor resolveu assumir o Londrina Esporte Clube?
OSF - Eu cheguei ao Londrina em dezembro de 96, no departamento jurídico, e tenho uma noção geral dos problemas do Londrina, principalmente nas áreas jurídica e administrativa. Até pensava em ser presidente do Londrina um dia, mas não agora. Uma semana antes da eleição, me foi feito o convite, por sugestão do Peter Silva (diretor de marketing), e eu me decidi. O Agostinho ponderou apenas que gostaria de ficar como vice, para terminar alguns compromissos dele com o clube.


FL - Quais serão seus maiores desafios no Londrina?

OSF - Hoje, o Londrina tem na sua administração dois funcionários. Já estou em contato com uma equipe de profissionais dessa área, numa espécie de terceirização, colocando gente capaz em cada setor e dando condições para a administração ser feita ali. Pretendo ainda criar um departamento de marketing que é extremamente necessário e que será coordenado pelo Peter Silva. Uma das minhas idéias será explorar a marca do Londrina. Já tive até uma conversa com o Shopping Catuaí sobre a possibilidade de instalar um quiosque do Londrina por lá para comercializar brindes, camisas e outros produtos do time. Outra coisa é ter uma departamento financeiro atuante, que será comandado pelo Luis Fernando Matos, executivo da Viação Garcia.

FL - De quanto é hoje a dívida do Londrina?
OSF - Eu fiz um levantamento recente e o Londrina deve em dívidas trabalhistas em torno de R$ 1,3 milhão. Em INSS e FGTS são mais R$ 2 milhões. Essa parte é mais fácil pois pode ser renegociada. Tem também os credores comuns, como fornecedores e hotéis, que dão cerca de R$ 400 mil. Não é uma dívida assustadora e queremos resgatar nossa dignidade.

FL - Qual é a meta para tentar solucionar essa dívida?
OSF - A meta é tentar solucionar isso nesse período. Nesses últimos anos, quem entrou no clube estava mais preocupado com resultado dentro de campo do que outra coisa e ninguém se preocupou com as dívidas. O J.B. Farias (radialista) deu uma idéia que até constou em ata, para que cada conselheiro contribua com uma quantia mensal com o clube, e isso facilita até a conversa com outros empresários. Se eu não conseguir pagar essas dívidas, pelo menos eu quero escaloná-las.

FL - O senhor não pretende então injetar dinheiro próprio no clube?
OSF - Não quero e não posso.


FL - Quais são as chances do Londrina de ainda conseguir uma vaga na Sul-Minas, já que a CBF confirmou a vaga para o Malutrom?

OSF - Eu diria que desde o começo, está garantido o Malutrom só que até hoje isso não foi homologado. Para nós, isso já é uma vitória. A nossa intenção, inclusive, é contatar a Comembol e a Fifa de tudo isso. Essa orientação de respeitar a Justiça Desportiva, por exemplo, vem da Fifa. Vencido na esfera desportiva, nós vamos apelar para a Fifa e vamos até as últimas consequências.

FL - O Londrina estará presente na Copa do Brasil?
OSF - A promessa é que a vaga do Londrina estaria garantida na Copa. Nas conversas que tivemos, ficou acertado que o Londrina teria uma vaga através de convite.

FL - O Londrina sempre teve uma postura mais recatada. O que vai mudar?

OSF - Acho que o Londrina tem que acabar com essa falta de representatividade. Isso a gente quer mudar e hoje já estamos incomodando e pelo menos estão vendo que o Londrina está se mobilizando.

FL - O Londrina vai entrar nas competições para participar ou para ganhar?
OSF - Se formos disputar a Copa Sul-Minas, a idéia é manter e reforçar esse time que temos. Precisamos de dois laterais e mais um atacante. Só que é preciso ter o recurso e o torcedor tem que entender isso.

FL - O elenco atual do Tubarão será mantido?
OSF - Todo o plantel saiu com a orientação de se reapresentar no dia 8 de janeiro, inclusive o Freitas (técnico Freitas Nascimento). O único que ficou pendente foi o goleiro Isaías. Mas também ficou acertado que os três principais jogadores, Gil, Nem e o Edimilson, (que têm contrato até o final de 2002), poderão ser negociados se for bom para as partes.


FL - Com o fortalecimento da Portuguesa Londrinense, como deve ficar o relacionamento entre as equipes?

OSF - Acho que, em futebol, a rivalidade tem que ser dentro de campo. Eu tenho um bom relacionamento com o Amarildo (diretor de futebol da Lusa) e não deve ser diferente disso. Isso não precisa estrapolar, por exemplo, com cada um falando mal do outro na mídia. Até porque o primeiro time da cidade é o Londrina e isso é inegável. A Portuguesa ainda está conquistando o seu espaço.


FL - O que o torcedor pode esperar do Londrina daqui para frente?

OSF - Pode esperar um time guerreiro dentro de campo, assim como vai ter um presidente guerreiro fora de campo, combativo, buscando representar o Londrina tanto na Federação Paranaense de Futebol como na CBF e em outras instâncias.

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