São Paulo - Jogador de futebol quando queria prolongar sua ligação com o esporte, virava, no máximo, treinador. Era assim. Hoje, ex e atuais craques decidiram investir parte dos valores ganhos na carreira comprando seus próprios clubes. Cartolas que estiveram lá, que conhecem do assunto. O mercado, em dificuldade, agradece. Zico foi um dos pioneiros, deixou de lado o Flamengo e montou em 1986 o CFZ. A equipe profissional já não existe mais, mas as categorias de base se mantêm em atividade. Rivaldo já foi dono do Guaratinguetá, do interior paulista. Não é mais. Virou sócio de uma empresa que ajuda a administrar o Figueirense. Zinho é acionista do Nova Iguaçu carioca. Gaúcho tem um time em Mato Grosso (o Cuiabá). Roberto Carlos cogitou comprar o União São João e por aí vai. O mais recente investimento no mercado será feito por nada mais nada menos que o maior de todos os atletas, Pelé. O Rei se cansou de se desentender com os dirigentes santistas e decidiu lançar o Litoral Futebol Clube, também na Baixada Santista. A intenção de Pelé é, inicialmente, disputar apenas competições com categorias amadoras e, a partir de então, criar a base do futuro time profissional. O Santos que se cuide.
Muito em breve, vai ter mais craque na tribuna vip do que em campo. Quer ver só. Imagina um triangular no interior paulista entre Campinas, Grêmio São Carlense e Primavera de Indaiatuba. Os dirigentes do primeiro são os ex-atacantes Careca e Edmar; do segundo, Muller, que joga na Portuguesa e vai administrar uma agremiação em São Carlos; e, por fim, no terceiro, o meia Silas, que se associou aos dois irmãos, também ex-jogadores, para administrar um clube da Quarta Divisão de São Paulo.
Figueirense O caso do Figueirense, time da Série A do Campeonato Brasileiro, ilustra bem essa nova tendência. Bicampeão catarinense e vice-campeão nacional da Série B, seu crescimento está associado a uma iniciativa pioneira em Santa Catarina, ou seja, a parceria que o alvinegro instituiu há três anos com a empresa paulista CSR Futebol e Marketing, que tem como principal acionista o meia-atacante pentacampeão mundial Rivaldo e o empresário Carlos Arine (Carlito). César Sampaio também participava da sociedade, mas deixou a empresa no início do ano.
A CSR, segundo o vice-presidente administrativo do Figueirense, João Batista Baby, atua na seleção e agenciamento de talentos no mercado nacional, colocando-os no elenco da equipe catarinense. O convênio prevê a divisão do lucro com a eventual venda dos atletas. O volante Marcinho, hoje no Palmeiras, e o meia Igor, no Flamengo, são exemplos de jogadores que passaram pelo clube e ganharam projeção por intermédio da parceria.
''O Figueirense serve como hospedeiro de jogadores da CSR, mas ela não tem poder de mando no clube'', explica Baby, acrescentando ainda que a empresa de Rivaldo estuda uma proposta para a participação societária na Figueirense Participações Ltda., que está sendo formatada a fim de que o alvinegro possa se adaptar ao padrão clube-empresa.
Baby salienta que a parceria pôs o Figueirense na vanguarda nacional e até mesmo internacional. ''É inegável o crescimento do Figueirense junto a uma empresa que tem em Rivaldo sua principal marca. Seu nome ajudou muito para que as portas do Figueirense se abrissem para muitas das ações já desenvolvidas pelo clube'', reconhece.

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