Cuidado, muito cuidado. Esse é o tratamento dado pelo presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Afonso Vitor de Oliveira, às garotas que querem seguir a carreira de árbitra ou assistente. Recém-formadas e novas, elas serão lançadas aos poucos e com muito cuidado, segundo o ex-árbitro, para que não se ‘‘queimem’’ e joguem fora a oportunidade de avançarem na arbitragem.
  ‘‘Futuro elas têm, mas ainda é muito prematuro falar. Elas são novinhas ainda, estão no bê-á-bá. São dois ou três anos pelo menos para se consolidarem, mas não quer dizer que, antes disso, não sejam lançadas numa Divisão de Acesso, numa Copa Paraná, em jogos que já não têm importância, como fazemos com os homens. O que não podemos é queimar etapas e, conseqüentemente, elas’’, alertou Oliveira. ‘‘Tem que ser gradativamente. Elas precisam comer muito feijão com arroz ainda’’.
  Ídolo de Renata, Gisele e Paula, o mais badalado árbitro paranaense, Héber Roberto Lopes, também acredita que é preciso cuidado para não queimar as meninas. ‘‘Elas precisam de uma seqüência de jogos e é muito importante que acompanhem as partidas para verem a atuação dos árbitros. Elas têm que ser preparadas nas competições de base para não se queimarem’’, orientou.
  Quanto ao aumento de mulheres no apito, o presidente da comissão ainda olha com certa desconfiança. ‘‘Acho válido, mas tem que ter certa segurança. Acho que as mulheres têm dificuldade no acompanhamento dos lances num jogo muito corrido. Um exemplo disso é a Silvia Regina (de Oliveira, paulista que integra o quadro da Fifa e foi acusada pelo técnico Tite, em 2005, de não ter condições físicas de apitar um jogo do porte de São Paulo x Corinthians)’’, afirmou Oliveira.
  Héber já encara de forma diferente. ‘‘O mercado está aberto. A comissão da CBF está dando oportunidade e os Estados estão seguindo o mesmo caminho. Elas também não podem deixar se abalar com os comentários de que mulher não leva jeito. É claro que leva’’, incentivou o paranaense da Fifa. (T.M.)

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