São Caetano do Sul - O técnico do São Caetano, Péricles Chamusca, já avisou que vai trocar as funções de técnico por de psicólogo nos próximos dias. Ele tem certeza de que haverá uma dificuldade muito grande de levantar o moral do grupo após a morte trágica do zagueiro Serginho, quarta-feira, no Morumbi. ''Este será nosso principal desafio daqui para frente'', avalia.
Chamusca estava otimista em relação a campanha do Azulão, que vinha encostando nos líderes do Campeonato Brasileiro. Mas não esperava ter que enfrentar um fato tão inusitado: a morte de um jogador. ''Foi um golpe duro para todos. Mas, talvez, a gente possa fazer um pacto para jogarmos em memória do Serginho'', sugere.
O primeiro grande impacto será continuar o jogo com o São Paulo, quarta-feira, no Morumbi. A CBF determinou que os dois times voltem a campo, com portões abertos, e terminem o jogo interrompido aos 14 minutos do segundo tempo. O jogo contra o Paraná, mar cado para hoje, foi transferido para dia 10 de novembro, no próprio Estádio Anacleto Campanella. Os jogadores voltam aos treinos amanhã, às 9h30.
Risco Até que ponto você arriscaria a vida pelo seu trabalho? A morte de Serginho levou muitos atletas a fazer essa pergunta e uma reflexão sobre o valor da carreira profissional. Logo após a tragédia no gramado do Morumbi, o goleiro Sílvio Luiz comentou que seu colega sabia que tinha problemas e havia ''1% de chance de alguma coisa acontecer''. Com base nessas informações, alguns atletas tentaram se colocar na situação de Serginho e boa parte deles chegou à conclusão que vale a pena correr o risco.
''Se me dissessem que eu teria 1% de chance de morrer jogando eu arriscaria. Faria a mesma coisa que ele'', disse o zagueiro Daniel, do Palmeiras, que foi companheiro de Serginho no São Caetano por cinco anos. O jogador disse que ficou chocado com a morte de um amigo mas explica que, em muitos casos, a decisão de parar não envolve apenas fatores pessoais. ''Há muita coisa em jogo que nem sempre diz respeito só a você. O Serginho, por exemplo, veio de uma família muito humilde e muitas pessoas dependiam dele'', lembra Daniel. ''Além disso era o que ele gostava. O que seria dele parando de fazer a única coisa que sabia?'', questiona o palmeirense, lembrando que a carreira do colega já caminhava para o final. ''Ele arriscou e não deu.''
''Conversaria com a família primeiro e passaria exatamente o que os médicos diagnosticaram. É uma decisão difícil'', diz o atacante Magrão, do Gamba Osaka, colega de Serginho na conquista do vice-campeonato Brasileiro, em 2001. ''Mas, se fosse hoje, eu pararia porque já passei por muita coisa no futebol, conquistei títulos e não me arriscaria.''
O meia Roger, do Fluminense, que presenciou a morte do húngaro Mikos Feher na época em que estava no Benfica, foi categórico ao afirmar que não é possível ''brincar'' com a saúde. O atleta destacou que encerraria a carreira, mesma opinião do zagueiro André Bahia, do Flamengo.

mockup