Chamusca comemora sucesso no Japão
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sábado, 13 de setembro de 2008
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Ele surgiu como uma grande promessa da nova safra de treinadores. Era jovem, articulado e conseguia levar pequenos clubes a resultados expressivos. Levou o até então anônimo Brasiliense à final da Copa do Brasil. Dois anos depois, conquistou o torneio com o modesto Santo André. Mas, depois de passagens por Goiás e São Caetano, foi para a Terra do Sol Nascente. E lá, após três anos, ele já escreve seu nome na história do Oita Trinita, time dos também brasileiros Uéslei, maior artilheiro da história da J-League, Roberto, ex-Ponte Preta, e Edmilson, ex-Londrina. Péricles Chamusca, 42 anos, levou a equipe japonesa à final da Copa Nabisco, a ''Copa do Brasil'' deles. O treinador falou com exclusividade à Folha sobre a vaga na final:
Folha - O que representa para você essa decisão da Copa Nabisco, já que é histórica para o clube?
Péricles Chamusca - É um mérito muito grande, um reconhecimento do trabalho. Para chegar até aqui, fizemos um bom planejamento e focamos para que fosse seguido certinho, com isso atingimos o objetivo. É uma valorização profissional.
Folha - Qual a sua participação na evolução do Oita nos últimos anos?
Chamusca - Aqui no Japão, eles respeitam muito o trabalho do treinador e a filosofia implantada. Aos poucos, passos foram conquistados que levam a equipe a fazer uma boa campanha. Uma coisa que eu comecei a usar foi a categoria de base. Através disso, descobrimos muitos talentos e o Oita ganhou com a convocação dos atletas para a seleção.
Folha - A cultura do futebol não permite aos técnicos ficarem muito tempo nos clubes. Porém, você está há três anos por aí. Qual é o segredo?
Chamusca - Essa cultura é aplicada no Brasil. Aqui (no Japão) o pensamento é diferente. Eles dão valor ao trabalho do técnico. Se o trabalho está sendo bem feito, eles continuam com a filosofia. No ano passado, o Hiroshima caiu para a segunda divisão e o clube manteve o técnico no comando. Hoje, eles estão liderando a segunda divisão e vão subir, com certeza.
Folha - O fato de ter vários brasileiros no time e na comissão técnica ajuda?
Chamusca - Ajuda sim. Se eu tenho uma filosofia de trabalho fica mais fácil de implantá-la com pessoas conhecidas e do seu país. Eles até ajudam a desenvolver o trabalho.
Folha: Você conquistou a Copa do Brasil, mas acabou não se firmando em nenhum clube de ponta no País. Você tem esse desejo de voltar ao Brasil ou pensa em seguir carreira no exterior?
Chamusca - Fiz uma boa campanha com o São Caetano e no Goiás disputei apenas o estadual e foi bom. Tenho vontade de voltar sim, e acredito que é necessário conhecer outros países, culturas, para adquirir experiência e voltar para um grande clube. Não sei por quanto tempo vou permanecer aqui, mas quero voltar com experiência para assumir algo grande, bom.
Folha - Na sua opinião, por que o Japão está perdendo espaço para os países árabes na preferência dos jogadores e técnicos?
Chamusca - Os países árabes investem muito no setor financeiro. A grande diferença é a parte financeira. Enquanto aqui fazemos um grande contrato, lá é um mega contrato. Eles atingem um patamar muito alto, maior que Europa.
Folha - Como é a sua vida aí no Japão? Demorou para se adaptar à cultura, culinária, idioma?
Chamusca - Aqui é muito tranquilo. Temos tudo. A adaptação não foi difícil. Minha família se deu muito bem, somente as crianças estranharam as aulas no início. Elas estudam em escola japonesa e demoraram um pouquinho para adaptar, mas agora já estão acostumadas. Temos à disposição um tradutor para a família e outro no clube, então não temos grandes dificuldades. Comemos comida brasileira, pois temos bons restaurantes, mercados especializados que entregam em nossas casas. Só comemos comida japonesa se quisermos. Existem muitos brasileiros aqui e as facilidades estão por toda parte.
Folha - Passou algum constragimento por conta das diferenças culturais?
Chamusca - Não, nunca tivemos problemas. O fato de termos sempre alguém conosco para traduzir ajuda bastante. Agora, já estamos falando japonês e não passamos por saia justa.


