Chamusca comemora sucesso no Japão
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sábado, 13 de setembro de 2008
Thiago Mossini<br>Equipe da Folha 
Londrina - Ele surgiu como uma grande promessa da nova safra de treinadores. Era jovem, articulado e conseguia levar pequenos clubes a resultados expressivos. Conduziu o até então anônimo Brasiliense à final da Copa do Brasil de 2002. Dois anos depois, conquistou a mesma competição com o modesto Santo André, garantindo a única participação do time do ABC paulista na Copa Libertadores da América.
Mas, depois de passagens por Goiás e São Caetano, foi para a Terra do Sol Nascente. E lá, após três anos, ele já escreve seu nome na história do Oita Trinita, time dos também brasileiros Uéslei, maior artilheiro da história da J-League, Roberto, ex-Ponte Preta, e Edmilson, ex-Londrina. Péricles Chamusca, 42 anos, levou a equipe japonesa à final da Copa Nabisco, a "Copa do Brasil" deles. O treinador falou com exclusividade à Folha sobre a vaga na final:
Folha - O que representa para você essa decisão da Copa Nabisco, já que é histórica para o clube?
Péricles Chamusca - É um mérito muito grande, um reconhecimento do trabalho. Para chegar até aqui, fizemos um bom planejamento e focamos para que fosse seguido certinho, com isso atingimos o objetivo. É uma valorização profissional.
Qual a sua participação na evolução do Oita nos últimos anos?
Aqui no Japão, eles respeitam muito o trabalho do treinador e a filosofia implantada. Aos poucos, passos foram conquistados que levam a equipe a fazer uma boa campanha. Uma coisa que eu comecei a usar foi a categoria de base. Através disso, descobrimos muitos talentos e o Oita ganhou com a convocação dos atletas para a seleção.
A cultura do futebol não permite aos técnicos ficarem muito tempo nos clubes. Porém, você está há três anos por aí. Qual é o segredo?
Essa cultura é aplicada no Brasil. Aqui (no Japão) o pensamento é diferente. Eles dão valor ao trabalho do técnico. Se o trabalho está sendo bem feito, eles continuam com a filosofia. No ano passado, o Hiroshima caiu para a segunda divisão e o clube manteve o técnico no comando. Hoje, eles estão liderando a segunda divisão e vão subir, com certeza.
O fato de ter vários brasileiros no time e na comissão técnica ajuda?
Ajuda sim. Se eu tenho uma filosofia de trabalho fica mais fácil de implantá-la com pessoas conhecidas e do seu país. Eles até ajudam a desenvolver o trabalho.
Na sua opinião, por que o Japão está perdendo espaço para os países árabes na preferência dos jogadores e técnicos?
Os países árabes investem muito no setor financeiro. A grande diferença é a parte financeira. Enquanto aqui fazemos um grande contrato, lá é um mega contrato. Eles atingem um patamar muito alto, maior que Europa.


