‘‘Achei que fosse brincadeira.’’ Assim reagiu o zagueiro Flávio, 21 anos, ao receber do preparador físico Ridênio, do Coritiba, a notícia de que tinha sido convocado para a Seleção Brasileira. ‘‘Tive que ligar a televisão para poder acreditar que era verdade’’, disse o zagueiro, que estava em seu apartamento em Curitiba na hora do anúncio feito, no Rio, pelo técnico Wanderley Luxemburgo.
Flávio, convocado principalmente pela indicação do técnico do Palmeiras, Luiz Felipe, que disse ter ficado surpreso com a boa apresentação do zagueiro na partida da semana passada contra o seu time, em São Paulo, afirmou que não passava por sua cabeça o chamado agora. ‘‘Todo jogador espera defender a Seleção Brasileira, mas nunca imaginei que isso pudesse acontecer agora. Vou fazer o máximo para poder ser chamado outras vezes.’’
Luxemburgo já teve a oportunidade de ver o zagueiro atuando. No dia 12 de agosto, na partida Coritiba x Corinthians, em Curitiba, Flávio, que era reserva, foi escalado na vaga de Gélson Baresi, então suspenso. O jogador teve uma boa atuação e começou a ganhar a vaga de titular, que se confirmaria a partir do jogo contra o Goiás, no dia 29 de agosto, mas daí na vaga de Célio Lúcio.
Flávio contou com sorte para solidificar uma carreira que estava em baixa. No começo do Brasileiro, o comentário nos bastidores do Couto Pereira era de que o jogador não fazia parte dos planos e que só não saiu do clube porque não houve nenhum time interessado.
Além de sorte, o jogador também contou com um incentivador que sempre quis vê-lo na seleção. Trata-se do pai, Pedro Ribeiro, ainda hoje morando em Siqueira Campos, cidade de 20 mil habitantes a 90 km de Jacarezinho (Norte Pioneiro), onde Flávio nasceu. Foi seu Pedro quem fez questão que Flávio deixasse o juvenil do Pindorama, time local, para fazer teste no Coritiba, em 1992. ‘‘Todo mundo falava que ele jogava bem e que era despedício ficar no Pindorama. Como queria que ele fosse jogador profissional resolvi levá-lo para o Coritiba’’, contou o pai do atleta, que se diz recompensado pelo sucesso do filho.
A mãe de Flávio, Maria Inês Ribeiro, comentou que a cidade está em festa com a convocação do zagueiro. ‘‘Como a cidade é pequena e todo mundo se conhece, não paramos de receber telefonemas de todos os conhecidos parabenizando a gente pela carreira do Flávio.’’
A última vez que um jogador do Coritiba foi chamado para a Seleção principal foi em 1987, com o volante Milton. Junto com Flávio também estão os paranaenses Rogério Ceni, que não jogou no Estado, mas nasceu em Pato Branco, o atacante Élber, de Londrina, e o meia Alex, de Curitiba.
O presidente do Coritiba, João Jacob Mehl, achou ‘‘ótima’’ a lembrança de Flávio para a Seleção. ‘‘Isso mostra que o trabalho desenvolvido no Coritiba está sendo reconhecido por todo País.’’ Jacob Mehl disse que foi consultado pela comissão técnica da CBF, anteontem à tarde, sobre as condições físicas e técnicas do atleta. Na manhã de ontem, foi Luxemburgo quem telefonou ao dirigente para comunicar a convocação de Flávio.Albari RosaNa lista dos 22Flávio com a camisa da Seleção no Couto Pereira: surpresa e promessa de agradar o técnico LuxemburgoEd Carlos Rocha

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