César se diz decepcionado com a torcida
São Paulo, 06 (AE) - O zagueiro César - um dos jogadores mais queridos pela torcida da Portuguesa - sentiu na pele a furia dos torcedores, na noite de quarta-feira, logo depois do empate em 3 a 3 com a Inter de Limeira, pelo Campeonato Paulista. Ao chegar aos vestiários, foi xingado por um grupo de 30 torcedores. Só não foi agredido porque os seguranças do clube evitaram. Quase chorando, o zagueiro dizia-se decepcionado com a torcida.
"Não estou acreditando no que estou vendo", comentou. "Agora, percebo que não sou tão querido pela torcida." Depois de ser convocado para a seleção brasileira, César virou uma espécie de xodó da torcida. Mas as cobranças também aumentaram. "A reclamação do torcedor é algo comum, mas não precisa chegar a este nível." Os torcedores acusavam César de fazer "corpo mole" para prejudicar o goleiro Márcio, que ganhou a posição de titular de Fabiano, amigo de César. Fabiano estava com César no vestiário. Eles deixaram o Canindé juntos no carro de César, sob forte proteção dos seguranças.
Vivendo situação oposta, o meia Edu, de apenas 20 anos, arma secreta do técnico Zagallo, foi aplaudido pela torcida. Ele marcou um dos gols contra a Inter. Na vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras, domingo, ele deu o passe para o gol de Evandro. Contra a Matonense, domingo, em Matão, Edu pode começar jogando. A razão são dores musculares na coxa esquerda que podem deixar o atacante Reinaldo fora do time. Aílton, afastado da equipe há muito tempo, está recuperado de contusão e pode voltar. Hoje, os jogadores fizeram hidroginástica. O volante Simão não gostou da falta de seriedade da equipe contra a Inter. "Entramos de salto alto", disse. "Contra o Palmeiras, jogamos com mais garra."
SUBORNO - A Delegacia Seccional Centro, que investiga o "caso de suborno" envolvendo a Portuguesa, vai adicionar, ao inquérito, gravações feitas pelo então diretor de Futebol, Camões Salazar. Em um dos trechos, que envolve outro dirigente, Manuel Barril, é levantada a suspeita de outro caso de suborno. Os dirigentes teriam dado dinheiro para jogadores do Remo (PA) em fevereiro do ano passado.
A Portuguesa precisava de três gols e acabou vencendo o jogo por 5 a 0, válido pela Copa do Brasil. Cerca de um mês depois, houve o empate por quatro gols com a Portuguesa Santista.





