César dribla a sina de sempre fazer errado
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sexta-feira, 27 de novembro de 1998
Agência Estado 
O gol que colocou a Portuguesa nas semifinais do Campeonato Brasileiro serviu como um desabafo para o zagueiro César. Jogador mais valorizado da equipe, titular da Seleção Brasileira, César tinha a carreira marcada pela sina de estar sempre no lugar errado na hora errada.
Foi ele quem escorou a bola para o interior da área resultando no gol de Aílton que deu o título para o Grêmio em 1996. Foi César quem, ao dominar a bola meio desajeitado, acabou levando o árbitro argentino Javier Castrilli a marcar o pênalti a favor do Corinthians no Paulista deste ano. Contra o Coritiba, a sorte finalmente passou para o seu lado.
As coisas sempre acabavam dando errado para mim, lembra César, que ontem esbanjava sorrisos no treino no Canindé. Acho que com este gol acaba meu sofrimento, é hora de dar a volta por cima.
César lembra bem do lance do primeiro gol da Lusa em Curitiba. Diz que estava na área por acaso, quando veio o cruzamento do lateral Augusto para ele completar para o gol. Perdíamos por 2 a 0, resolvi ficar lá na frente, de centroavante, relata o jogador de 23 anos.
Quando viu a bola entrando, César conta que sentiu a classificação garantida. Minutos depois, o atacante Aílton empatou a partida e confirmou a vaga da Portuguesa. Antes do jogo, o Aílton tinha me dito que ouviu a Mãe Dinah falar que o Coritiba iria se classificar, comenta César. Agora, acho que essa mulher não vai mais ganhar dinheiro.
O zagueiro criticou a atitude do Coritiba que, segundo César, menosprezou a Portuguesa. O time paranaense teve várias oportunidades para ampliar o placar quando vencia por 2 a 0 mas abusou do capricho nas finalizações. Ficaram querendo fazer gol bonito, diz ele. César dá a receita: Tem de jogar sempre com simplicidade.


