O gol que colocou a Portuguesa nas semifinais do Campeonato Brasileiro serviu como um desabafo para o zagueiro César. Jogador mais valorizado da equipe, titular da Seleção Brasileira, César tinha a carreira marcada pela sina de estar sempre no lugar errado na hora errada.
Foi ele quem escorou a bola para o interior da área resultando no gol de Aílton que deu o título para o Grêmio em 1996. Foi César quem, ao dominar a bola meio desajeitado, acabou levando o árbitro argentino Javier Castrilli a marcar o pênalti a favor do Corinthians no Paulista deste ano. Contra o Coritiba, a sorte finalmente passou para o seu lado.
‘‘As coisas sempre acabavam dando errado para mim’’, lembra César, que ontem esbanjava sorrisos no treino no Canindé. ‘‘Acho que com este gol acaba meu sofrimento, é hora de dar a volta por cima.’’
César lembra bem do lance do primeiro gol da Lusa em Curitiba. Diz que estava na área por acaso, quando veio o cruzamento do lateral Augusto para ele completar para o gol. ‘‘Perdíamos por 2 a 0, resolvi ficar lá na frente, de centroavante’’, relata o jogador de 23 anos.
Quando viu a bola entrando, César conta que sentiu a classificação garantida. Minutos depois, o atacante Aílton empatou a partida e confirmou a vaga da Portuguesa. ‘‘Antes do jogo, o Aílton tinha me dito que ouviu a Mãe Dinah falar que o Coritiba iria se classificar’’, comenta César. ‘‘Agora, acho que essa mulher não vai mais ganhar dinheiro.’’
O zagueiro criticou a atitude do Coritiba que, segundo César, menosprezou a Portuguesa. O time paranaense teve várias oportunidades para ampliar o placar quando vencia por 2 a 0 mas abusou do capricho nas finalizações. ‘‘Ficaram querendo fazer gol bonito’’, diz ele. César dá a receita: ‘‘Tem de jogar sempre com simplicidade’’.

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